INICIATIVA DO MOVIMENTO 342 ARTES

"Block no Tigrinho": artistas se mobilizam em campanha contra apostas online

Imagem: reprodução/Block no Tigrinho
05-06-2026
Tempo de leitura 3:40 min

O movimento 342 Artes lançou uma campanha contra as apostas online. Intitulada de “Block no Tigrinho”, a iniciativa tem a adesão de artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Marieta Severo, Camila Pitanga, Mateus Solano e Alinne Moraes. 

“Todos juntos por uma causa urgente: enfrentar os impactos das apostas online no Brasil. O Block no Tigrinho chega para conscientizar, informar e mobilizar a sociedade sobre os danos causados pelas bets, especialmente entre jovens, famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade”, diz uma publicação feita pelo movimento 342 Artes no Instagram.

O site da iniciativa traz uma relação de personalidades públicas que já se pronunciaram contra as bets e disponibiliza materiais críticos aos jogos de azar para o público baixar e compartilhar nas redes sociais. A campanha também ganhou uma página própria no Instagram, tendo, até o momento, mais de 62 mil seguidores

Em entrevista ao jornal O Globo, a empresária e produtora de cinema Paula Lavigne, esposa de Caetano Veloso, afirmou que o objetivo da iniciativa é pressionar “por regulações mais rígidas da publicidade e da atuação das bets através, por exemplo, de propostas como o PL Brasil Contra as Bets, que foi protocolado com texto idêntico na Câmara, PL nº 2478/2026, e no Senado (PL nº 2470/2026)”.

Os projetos citados por Lavigne proíbem a publicidade de apostas online em redes sociais, emissoras de rádios e televisão, plataformas de streaming, jornais, revistas, SMS, entre outros meios de comunicação. O patrocínio a times e a eventos também fica vedado. As matérias ainda não foram votadas no Congresso.

Posicionamento do IBJR

Em comunicado à imprensa, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) — que representas empresas de apostas —  afirma acompanhar a campanha Block no Tigrinho. Para a entidade, no entanto, o foco da iniciativa deveria ser o combate às bets ilegais. Nessas plataformas, estão os maiores riscos para a população e a fonte de recursos para organizações criminosas, diz o IBJR.

“Os organizadores [do Block no Tigrinho] afirmam buscar mecanismos para combater o chamado 'jogo predatório' no Brasil. Esse fenômeno ocorre justamente no mercado ilegal, formado por operadores que atuam à margem da regulamentação, sem controles, sem fiscalização e sem qualquer compromisso com a proteção dos consumidores”, afirma o instituto.

O IBJR se posiciona ainda contra a proibição da publicidade do setor. Na visão da entidade, “restrições excessivas” a propagandas de apostas reguladas tendem a gerar o efeito contrário ao desejado ao enfraquecer os operadores legalizados e fortalecer a atuação do mercado clandestino.

“São justamente as plataformas clandestinas que utilizam influenciadores e canais digitais sem qualquer controle para atrair consumidores, muitas vezes sem informar riscos ou oferecer mecanismos de proteção. A comunicação das empresas autorizadas segue regras específicas e cumpre papel importante ao permitir que o consumidor identifique operadores licenciados e diferenciá-los daqueles que atuam ilegalmente”, defende o IBJR.

A entidade se coloca ainda à disposição da campanha para dar contribuições técnicas ao debate.

Confira o posicionamento completo:

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acompanha a mobilização de artistas e da sociedade no movimento “Block no Tigrinho” e considera que a campanha deveria concentrar seus esforços no combate às plataformas clandestinas, onde estão os maiores riscos para os consumidores e a principal fonte de financiamento de organizações criminosas. Quem pretende combater o jogo predatório no Brasil deveria direcionar suas críticas e esforços às operações ilegais, e não às empresas fiscalizadas e autorizadas pelo Governo Federal.

Os organizadores afirmam buscar mecanismos para combater o chamado “jogo predatório” no Brasil. Esse fenômeno ocorre justamente no mercado ilegal, formado por operadores que atuam à margem da regulamentação, sem controles, sem fiscalização e sem qualquer compromisso com a proteção dos consumidores.

As operadoras autorizadas pelo Governo Federal, identificadas pelo domínio .bet.br, estão sujeitas a rígidas exigências regulatórias. Entre elas estão a proibição de pagamentos por cartão de crédito e criptomoedas, processos obrigatórios de identificação e reconhecimento facial, ferramentas de autoexclusão, limites de tempo de jogo, controle de depósitos e mecanismos de prevenção ao jogo problemático. A regulamentação é hoje o principal instrumento de proteção da saúde financeira e mental dos apostadores brasileiros.

Enquanto isso, as plataformas clandestinas movimentam aproximadamente R$ 40 bilhões por ano fora do alcance das autoridades e geram perdas estimadas em R$ 10,8 bilhões anuais aos cofres públicos, segundo levantamento do Instituto Locomotiva e da LCA Consultoria. Em contraste, apenas em 2025 o mercado regulado contribuiu com R$ 9,95 bilhões em tributos e destinações legais, beneficiando áreas como esporte, turismo, segurança pública e educação.

Em relação à publicidade, o IBJR ressalta que as restrições devem ser direcionadas ao mercado ilegal. São justamente as plataformas clandestinas que utilizam influenciadores e canais digitais sem qualquer controle para atrair consumidores, muitas vezes sem informar riscos ou oferecer mecanismos de proteção. A comunicação das empresas autorizadas segue regras específicas e cumpre papel importante ao permitir que o consumidor identifique operadores licenciados e diferenciá-los daqueles que atuam ilegalmente.

Restrições excessivas à publicidade das empresas reguladas tendem a produzir efeito contrário ao desejado: enfraquecem os operadores autorizados e ampliam a visibilidade de plataformas clandestinas que não seguem regras, não pagam tributos e não oferecem qualquer garantia ao apostador.

O IBJR permanece à disposição dos organizadores do movimento para contribuir tecnicamente com o debate e esclarecer informações que possam gerar confusão entre mercado regulado e mercado ilegal. O Instituto reafirma seu compromisso com um ambiente de apostas seguro, transparente, responsável e alinhado às melhores práticas internacionais de proteção ao consumidor.

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