A People Inc., do magnata da mídia Barry Diller, apresentou uma oferta para adquirir a MGM Resorts International em um negócio de mais de US$ 18 bilhões (cerca de R$ 97,2 bilhões, na cotação atual). A proposta surge poucos dias após a empresa de Tilman Fertitta anunciar a aquisição da Caesars Entertainment, sinalizando uma nova onda de consolidação na indústria de cassinos dos Estados Unidos.
A People, anteriormente conhecida como IAC, anunciou na segunda-feira que ofereceu US$ 48,30 por ação, em dinheiro, pelas ações da MGM. A proposta representa um prêmio de aproximadamente 10,6% em relação ao preço de fechamento das ações da MGM na sexta-feira.
A empresa atualmente detém uma participação de 26,1% na MGM Resorts e afirmou que a transação resultaria em uma participação superior a 50,1% do capital da operadora de cassinos, enquanto outros investidores manteriam participações minoritárias.
A MGM confirmou que recebeu a proposta e informou que seu conselho de administração, juntamente com assessores financeiros e jurídicos, avaliará a oferta antes de definir os próximos passos.
“Após a aquisição da CZR anunciada por Fertitta na semana passada, nossa visão continua sendo que a transação pode atuar como um catalisador para novas atividades de negócios em todo o grupo de cassinos”, afirmou David Katz, analista da Jefferies.
Os investidores parecem ter recebido bem a proposta. As ações da MGM subiram mais de 14% na segunda-feira, sendo negociadas acima do preço ofertado, enquanto os papéis da People registraram leve queda.
O interesse de Barry Diller pela MGM remonta ao período da pandemia de COVID-19, quando a IAC começou a acumular ações da empresa enquanto os papéis do setor de cassinos eram pressionados pelas restrições de viagem e pelo fechamento de propriedades.
O veterano executivo de mídia argumenta há anos que a MGM permanece significativamente subvalorizada, apesar de possuir alguns dos ativos de jogos e hospitalidade mais reconhecidos do mundo.
“Começamos a investir na MGM há quase seis anos porque acreditávamos que ela representava um tipo raro de negócio: um com ativos físicos que a inteligência artificial não consegue replicar ou substituir facilmente, além de oportunidades excepcionais de crescimento digital”, afirmou Diller em comunicado. “Essa convicção só se fortaleceu com o tempo.”
Em uma carta aos acionistas publicada em abril, Diller descreveu as ações da MGM como “extremamente subvalorizadas” e sinalizou que a People passaria a concentrar ainda mais atenção em seu investimento na operadora.
O investimento já gerou ganhos substanciais para a companhia. A People reportou US$ 34 milhões em ganhos não realizados com sua participação na MGM durante o primeiro trimestre, em comparação com uma perda de aproximadamente US$ 324 milhões registrada no mesmo período do ano anterior.
A MGM continua sendo uma das maiores operadoras de jogos dos Estados Unidos, com propriedades icônicas que representam cerca de 40% da Las Vegas Strip. Mais de 87% de seu portfólio de cassinos e hotéis nos EUA está concentrado em Las Vegas, incluindo aproximadamente 37 mil quartos de hotel, 9.168 máquinas caça-níqueis e 723 mesas de jogos.
No entanto, a operadora enfrentou desafios nos últimos trimestres devido à desaceleração no fluxo de visitantes para Las Vegas. O crescimento das operações em Macau e dos negócios digitais ajudou a compensar parte dessa pressão.
Um dos ativos de crescimento mais valiosos da MGM é a BetMGM, sua joint venture de apostas esportivas e jogos online, que se consolidou como uma das principais operadoras de sportsbook do mercado norte-americano. Analistas têm destacado cada vez mais o segmento de apostas digitais como um dos principais motores de crescimento futuro para as grandes empresas de jogos.
Para Diller, cujo império empresarial historicamente esteve concentrado em mídia, publicação, internet e marcas de viagens, a aquisição representaria uma expansão significativa para os setores de jogos e hospitalidade. Entre seus investimentos anteriores em turismo está a Expedia, adquirida pela IAC em 2002 e posteriormente transformada em uma empresa independente.
A transação proposta agora aguarda análise do conselho da MGM, que ainda não indicou se pretende iniciar negociações ou buscar alternativas estratégicas.