TORNEIO COMEÇA EM 11 DE JUNHO

Uma semana para a Copa do Mundo: cinco desafios que o setor de apostas tem pela frente

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04-06-2026
Tempo de leitura 4:09 min

O mercado de apostas online espera que a Copa do Mundo de 2026 traga um grande pico de atividade. Com mais jogos, maior alcance global e um ambiente digital ainda mais consolidado, o torneio tende a impulsionar o engajamento de usuários.

A Sportradar, por exemplo, calcula que as apostas no Mundial terão um turnover estimado em US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 251 bilhões, na cotação atual) globalmente.

No entanto, junto com as expectativas positivas, surgem também desafios estruturais e estratégicos para mercados regulados como o Brasil. Em um cenário de alta demanda, concorrência acirrada e atenção pública ampliada, o sucesso durante o Mundial dependerá da capacidade de lidar com os obstáculos.

O Yogonet lista, a seguir, cinco desafios para o setor de apostas online:

1. Evitar que a Copa vire a “Copa das bets ilegais”

Em 2025, um estudo da LCA Consultores em parceria com o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e Instituto Locomotiva estimou que as plataformas ilegais representam entre 41% e 51% do mercado brasileiro de apostas online.

Com o aumento expressivo do interesse durante a Copa do Mundo, existe o risco de que uma parcela relevante desse novo fluxo de apostas seja direcionada para operadores clandestinos — que não recolhem impostos, não seguem regras de jogo responsável e atuam fora dos mecanismos de proteção ao consumidor.

Evitar que o Mundial se transforme na “Copa das bets ilegais” será uma missão central para o Brasil.

2. Ambiente de hipercompetição

A Copa também tende a intensificar um cenário de hipercompetição entre operadores. Em entrevista recente ao Yogonet, Rodrigo Cambiaghi, senior sales executive de digital advertising da Sportradar para a América Latina, disse que o período deve ser marcado por forte saturação dos canais tradicionais de marketing, com múltiplas marcas disputando a atenção do mesmo público ao mesmo tempo.

Além disso, existem limitações relacionadas aos direitos comerciais da FIFA. Operadores que não são patrocinadores da competição não podem utilizar símbolos, imagens ou propriedades intelectuais do torneio em suas campanhas publicitárias.

Um guia publicado pela FecomercioSP esclarece as principais restrições. Embora o material não seja direcionado exclusivamente ao setor de iGaming, as orientações são relevantes para operadores e afiliados.

Além das recomendações da FecomercioSP, um documento com diretrizes oficiais da FIFA sobre propriedade intelectual reforça as limitações.

Por ser apoiadora oficial do torneio na América do Sul e Europa, a Betano é a casa de apostas com mais liberdade para explorar comercialmente a Copa do Mundo. A parceria foi anunciada em maio e deve ampliar a exposição da marca em países como o Brasil.

Diante disso, as equipes de marketing de bets concorrentes precisarão buscar alternativas criativas para engajamento, equilibrando branding, compliance e eficiência de mídia.

3. Transformar apostadores ocasionais em usuários recorrentes

Outro desafio estratégico será ir além da aquisição pontual e trabalhar a retenção de usuários. A Copa do Mundo tem potencial de atrair um grande número de apostadores ocasionais, muitos dos quais estarão apostando pela primeira vez.

O ponto crítico será converter esse pico de novos usuários em uma base ativa de longo prazo. Isso passa por estratégias que incentivem a continuidade no sportsbook após o Mundial, além da migração para outros produtos disponíveis nas plataformas, como cassino online.

Sem uma estratégia clara de retenção, o risco é que o aumento de usuários durante a Copa se traduza apenas em um crescimento temporário, sem impacto sustentável para as operações no médio e longo prazo.

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4. Cenário de críticas e pressão pública

O crescimento do mercado de apostas no Brasil é acompanhado por um aumento significativo de críticas públicas, especialmente por parte de autoridades e outros setores da economia.

Durante um evento de grande visibilidade como a Copa do Mundo, esse escrutínio pode se intensificar. Questões relacionadas à publicidade, proteção de públicos vulneráveis, endividamento e impacto das apostas na saúde mental tendem a ganhar ainda mais espaço no debate.

O Brasil está a poucos meses das eleições presidenciais, com o tema das apostas já tendo aparecido no discurso dos dois principais pré-candidatos — o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ambos expressaram uma visão crítica ao setor, algo que também é sentido na população em geral. 

Em abril, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou o resultado de uma pesquisa com cerca de duas mil entrevistas sobre as eleições e o cenário político do Brasil. O levantamento incluiu perguntas relacionadas às apostas online. Para 71,9% dos respondentes, as bets representam um “problema grande” para a sociedade brasileira.

Os entrevistados foram perguntados ainda sobre o futuro das casas de apostas online. Para 38,4%, elas deveriam ser proibidas de operar no Brasil, ao passo que 22,1% gostariam de ver uma maior fiscalização em cima do segmento. A proibição de publicidade do setor e a imposição de limites de gastos foram defendidas, respectivamente, por 9,8% e 9,3%. 

Para os operadores, o desafio será atuar de forma responsável e transparente, reforçando práticas de compliance e jogo responsável ao mesmo tempo em que mantêm competitividade em um ambiente altamente dinâmico e exposto.

5. Garantir estabilidade operacional durante picos de demanda

A Copa do Mundo também representa um enorme desafio operacional para as plataformas de apostas. Com uma grande quantidade de acessos simultâneos durante partidas decisivas, operadores precisarão garantir estabilidade tecnológica em um momento de tráfego extremo.

Falhas em odds ao vivo, lentidão em sites e aplicativos, instabilidade em depósitos e atrasos em saques podem gerar desgaste reputacional justamente no período mais importante do calendário esportivo global.

Além da infraestrutura tecnológica, o torneio também deve testar a capacidade dos meios de pagamento integrados às plataformas. Em um ambiente de alto volume transacional, eficiência operacional e rapidez financeira passam a ser fatores estratégicos para retenção e satisfação do usuário.



Para ler mais matérias sobre o impacto do Mundial no mercado de apostas online, confira o suplemento "As Bets e a Copa", lançado pelo Yogonet.


Todo o conteúdo do suplemento possui caráter exclusivamente informativo. Não há qualquer vínculo comercial com a FIFA, nem o objetivo de promover ou comercializar produtos ou serviços relacionados à competição.  

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