TEMA ESTÁ SENDO DISCUTIDO PELO GOVERNO

“Quero dizer o seguinte: se depender de mim, a gente fecha as bets", afirma Lula em entrevista

(Reprodução internet)
09-04-2026
Tempo de leitura 2:36 min

Em entrevista ao site ICL nesta quarta-feira, 8 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi mais uma vez contundente ao criticar as apostas online e, dessa vez, afirmou que, se depender da vontade dele, "a gente fecha as bets".

Lula disse que a decisão sobre o futuro das apostas online depende do Congresso Nacional e de outros fatores, mas que é contra o que considera como "jogatina desenfreada" no país.

Quero dizer o seguinte: se depender de mim, a gente fecha as bets. Obviamente que depende do Congresso Nacional, de discussão. Eu sei que elas financiam — não posso citar nomes, porque não sou juiz nem policial —, mas todo mundo sabe quem são os deputados, os partidos, os senadores. Então não é possível continuar com essa jogatina desenfreada neste país”, afirmou.


Imagem: Freepik

O presidente afirmou que o tema vem sendo discutido internamente no governo nas últimas semanas e que há dúvidas sobre a utilidade do setor. “Faz 15 dias que estou discutindo esse negócio das bets. Tenho debatido exatamente isso: se elas causam o mal que a gente acha que causam, por que não acabar com as bets? Ou então regular para que não haja tantas no Brasil, se é que têm alguma serventia.”

Sobre o argumento de que essas plataformas são essenciais para o financiamento do esporte, especialmente do futebol, o presidente disse que "o futebol sobreviveu por mais de um século sem elas", e que esse assunto também faz parte do debate interno do governo sobre as bets. 

Vale lembrar que a regulamentação das apostas online, que iniciou em 2025, foi uma iniciativa do atual governo após a promulgação da lei 13.756/2018, sancionada por Michel Temer em dezembro de 2018, que legalizou as apostas esportivas de quota fixa no Brasil. Foram seis anos até a lei de regulamentação do setor, enquanto milhares de sites ofereciam serviços sem qualquer controle ou arrecadação do estado.

Setor defende a regulamentação

Em nota, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) já se posicionou sobre a fala do presidente e defende que a regulamentação das apostas é a forma mais eficaz de proteger a sociedade, alinhando-se à preocupação do presidente com o bem-estar das famílias. Segundo a entidade, o fim do mercado legal ampliaria a informalidade, eliminando mecanismos de proteção e reduzindo a arrecadação pública.

O instituto destaca que o principal desafio é combater o mercado ilegal, que já representa cerca de 51% do setor, movimenta bilhões fora da lei e gera perdas significativas aos cofres públicos. Para o IBJR, fortalecer o ambiente regulado é essencial para garantir segurança, integridade e controle.

Sobre o endividamento, a entidade afirma que o impacto das apostas no orçamento familiar é limitado e reforça que plataformas regulamentadas adotam restrições, como a proibição de uso de cartão de crédito. Também ressalta medidas de proteção, como verificação de identidade, limites de uso e ferramentas de autoexclusão.

O IBJR ainda enfatiza a relevância econômica do setor, com bilhões arrecadados em tributos e investimentos que geram empregos e movimentam a economia. Por fim, alerta que retrocessos na regulamentação podem reduzir receitas públicas e favorecer a expansão do mercado clandestino.

Em março, a Associação Brasileira de Conformidade, Boas Práticas, Ética e Transparência em Apostas (ABC-BET) divulgou uma nota oficial em resposta às críticas do presidente que classificou o vício em apostas como “um drama que atinge os lares brasileiros”. 

A entidade afirmou que as estatísticas apontam para o gasto de aproximadamente R$ 122 mensais em plataformas autorizadas, representando menos de R$ 30 semanais e valor médio diário abaixo de R$ 4  o que caracterizaria uma atividade de entretenimento com gastos moderados.

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