A Flutter Entertainment retirará suas ações ordinárias da Bolsa de Valores de Londres (LSE) em 3 de agosto, com o último dia de negociação na praça londrina marcado para 31 de julho.
A proprietária da FanDuel continuará sendo negociada na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), sob o código FLUT. A Flutter informou que solicitou à Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido (FCA) o cancelamento de sua listagem na Lista Oficial e pediu à LSE a remoção de suas ações do mercado principal.
Pelas regras atuais da FCA, a aprovação dos acionistas não é necessária quando determinadas condições regulatórias são atendidas, desde que seja dado um aviso prévio mínimo de 20 dias úteis antes da deslistagem.
Segundo a empresa, a decisão foi tomada após uma revisão de sua estrutura de listagem, anunciada inicialmente nos resultados do primeiro trimestre, divulgados em 7 de maio. A Flutter citou os baixos volumes de negociação em Londres e os custos, exigências regulatórias e encargos administrativos associados à manutenção de uma dupla listagem. A administração afirmou que a medida está no “melhor interesse da companhia e de seus acionistas”.
A saída da LSE exigirá que investidores que negociam ações da Flutter em Londres passem a utilizar a NYSE após a efetivação do cancelamento. Embora corretoras e custodiante normalmente ofereçam suporte a ativos listados em múltiplas bolsas, mudanças nos processos de execução e custódia podem afetar a liquidez e os custos de negociação, especialmente para pequenos investidores de varejo no Reino Unido.
A Flutter registrou receita de US$ 4,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Os Estados Unidos respondem por cerca de 42% das vendas da companhia, e a FanDuel detém uma participação líder de 39% no mercado americano de apostas. A Flutter estreou na NYSE em janeiro de 2024 e posteriormente transformou a bolsa americana em sua listagem principal.
Peter Jackson, CEO da Flutter
Na época da listagem na NYSE, o CEO Peter Jackson declarou: “Acreditamos que uma listagem principal nos Estados Unidos é o ambiente natural para a Flutter, dada a posição número um da FanDuel no mercado americano, que esperamos que contribua com a maior parcela dos lucros da companhia em um futuro próximo.”
A decisão ocorre em meio à pressão contínua enfrentada pelo mercado de capitais britânico, que tem visto empresas transferirem suas listagens ou reduzirem sua exposição a Londres. Em 2024, até 88 empresas cancelaram suas listagens ou transferiram sua listagem principal para fora da LSE. Dados da Bloomberg mostraram que Londres ocupou a 20ª posição global em ofertas públicas iniciais (IPOs) naquele ano, com apenas 18 empresas abrindo capital.
Em entrevista ao iGB no ano passado, Ivor Jones, analista de ações da Peel Hunt, afirmou: “O Reino Unido é um mercado pequeno e representa uma parcela reduzida do valor total do mercado acionário global, o que tem pressionado as avaliações.”
Ele acrescentou: “Os investidores britânicos têm encontrado taxas de juros mais atrativas para aplicações em dinheiro ou enfrentado custos maiores em financiamentos imobiliários devido aos juros elevados. Com isso, têm vendido ações britânicas e direcionado seus recursos para outros ativos. Há um fluxo constante de saída de capital.”
As ações da Flutter acumulam queda próxima de 60% nos últimos 12 meses, com as perdas se intensificando desde o início de 2026. No mês passado, a FanDuel anunciou a saída de sua ex-CEO, Amy Howe, com Jackson afirmando que era o “momento certo para uma nova liderança”.