O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um tom crítico ao falar sobre a atuação das bets no Brasil. Durante evento de comemoração de 90 anos da criação do salário mínimo, na sexta-feira, 16 de janeiro, o chefe do Executivo comentou a proibição dos cassinos físicos e associou as casas de apostas a casos de corrupção.
“Desde pequeno, eu ouço os religiosos dizerem, e eu também professava o mesmo discurso, de que o Brasil não poderia ter cassino. [...] E todo mundo sabe que a igreja evangélica e católica dizia: ‘Cassino é jogo de azar. Não pode porque o pobre vai gastar…’. Pobre não vai entrar em cassino, não tem nem como chegar lá. Agora, o que aconteceu? O cassino entrou dentro da casa da gente para criança de dez anos pegar o telefone do pai e jogar com essa quantidade de bets que foram criadas e que estão tomando conta do futebol, tomando conta da publicidade e tomando conta da corrupção desse país. Porque vocês estão vendo o trabalho do Banco Central tentando fazer com que essa gente pague pelo menos imposto nesse país”, afirmou Lula, sendo aplaudido em seguida durante o evento realizado no Rio de Janeiro (RJ).
Confira o vídeo com a fala completa a partir dos 55 minutos e 36 segundos:
Essa não é a primeira vez que Lula faz um discurso crítico em relação às bets. Há cerca de dois anos, em fevereiro de 2024, o presidente declarou que as casas de apostas estavam “presentes 24 horas por dia na televisão”, e que isso era pior do que o jogo do bicho. Na época, a lei que regulamentou o setor já havia sido aprovada no Congresso e sancionada pelo petista, mas as regras ainda não haviam entrado em vigor — o mercado regulado começou apenas em 1º de janeiro de 2025.
Para Magnho José, editor do site BNLData e presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IJL), a fala de Lula na última sexta-feira “mostra ignorância” a respeito dos jogos de azar.
“O setor de apostas esportivas e jogos online no Brasil, conhecido como as ‘bets’, foi regulamentado através de um conjunto robusto de normativas, que não permite que os operadores pratiquem atos corruptos, que geram punições aos operadores”, escreveu Magnho, no BNLData.
Ele avalia também que o impacto das bets no futebol tem sido positivo devido aos volumosos patrocínios firmados com os clubes nos últimos anos. Magnho lembra que os times brasileiros conquistaram as últimas sete Copa Libertadores, dominando o torneio continental.
“E, para comprovar a ignorância total sobre o tema, quem fiscaliza as ‘bets’ é a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda e não o Banco Central do Brasil, que é a autoridade monetária e guardião da moeda, responsável por executar as políticas de moeda e crédito definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com o objetivo de manter a estabilidade de preços e do sistema financeiro, controlar a inflação e garantir o poder de compra do real”, diz Magnho.