ENTREVISTA COM RODRIGO CAMBIAGHI

Copa do Mundo deve gerar US$ 50 bilhões em apostas, diz executivo da Sportradar

Rodrigo Cambiaghi (imagem: divulgação)
22-05-2026
Tempo de leitura 4:58 min

A menos de 20 dias da Copa do Mundo de 2026, a movimentação no setor de apostas é forte. Operadores têm lançado campanhas, fechado parcerias e estruturado estratégias para disputar a atenção do público em um evento esportivo que promete ser um dos mais disputados da história.

A corrida não se limita à aquisição de clientes, mas envolve também posicionamento de marca, eficiência de mídia e capacidade tecnológica. Com a expectativa de saturação dos principais canais de comunicação, como plataformas digitais e TV, as empresas buscam alternativas para se diferenciar e maximizar o impacto de suas ações durante o torneio.

Em entrevista ao Yogonet, Rodrigo Cambiaghi, senior sales executive de digital advertising da Sportradar para a América Latina, detalha como esse ambiente competitivo deve se desenrolar e de que forma estratégias baseadas em dados, inteligência artificial e momentos esportivos podem ajudar a conquistar espaço junto ao público.

Cambiaghi compartilha ainda dados levantados pela Sportradar, como a previsão de que as apostas na Copa devem ter um turnover estimado em US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 250 bilhões, na cotação atual) globalmente.

Confira:

Qual é a expectativa da indústria para a Copa do Mundo, especialmente no Brasil, que terá o primeiro Mundial com o mercado regulado de apostas online?

A expectativa é bem alta. Há muitos operadores no Brasil com foco em cassino, mas que entendem a Copa do Mundo como um evento super importante para crescer a operação no sportsbook.

A Copa de 2022  — quando o mercado era bem menor e não era regulamentado — foi um baita evento em questão de números, investimentos, novos depositantes e novos cadastros. O resultado que tivemos com os operadores foi espetacular, não só no Brasil, mas na América Latina também.

Você vê algum desafio específico para os operadores nesse período da Copa de 2026?

Haverá um ambiente de hipercompetição na Copa do Mundo, não só no mercado de apostas, mas todo mundo quer se vincular ao evento e pegar uma parte disso. É esperada uma saturação dos canais tradicionais (Meta, Google, TV, mídia programática), porque vai ter muita gente anunciando; é basicamente uma disputa pela atenção do consumidor entre vários operadores, com CPM [custo por mil impressões] e cotas de publicidade mais caras.

O segundo ponto é estar com o produto preparado. Se o operador não tiver um bom sportsbook, com vários mercados, bet builder e outras funcionalidades, não vai conseguir competir no mesmo nível dos grandes.

Imagem: Freepik

Nesse cenário de hipercompetição, o que pode ajudar um operador a se diferenciar?

Na Sportradar, temos abordado muito o conceito de sports moments, os momentos esportivos. O esporte é um lugar onde as pessoas se emocionam muito, se conectam e compartilham uma paixão.

Se você consegue ser “dono” daquele momento, você conquista o espaço da emoção. Isso te diferencia dos competidores.

Um exemplo simples são as placas de LED que mudam de anunciante na hora do gol. Aquele momento é mais valioso porque tem mais atenção, emoção e repercussão na mídia. Outro exemplo: na hora que o jogador faz um gol, o operador oferece uma aposta para sair mais um.

E isso pode ser feito de várias formas, não apenas no gol — pode ser em um pênalti, no cartão, no apito final do jogo. São momentos em que o fã está mais engajado e mais propenso à emoção.

A Sportradar, como empresa de dados, consegue capturar esses momentos e ativar campanhas no timing certo. 

Nesse momento de hipercompetição e saturação de comunicação, a estratégia de momentos esportivos é onde o operador consegue se diferenciar e capturar a atenção do usuário de forma mais eficiente. Acreditamos muito nisso.

A inteligência artificial (IA) é um tema em alta não só no mercado de apostas, mas em todos os setores. Como você vê o papel da IA na Sportradar e na Copa do Mundo?

A IA está presente em várias camadas da Sportradar, desde automação de anúncios até tarefas mais complexas, como predição de dados e resultados.

No caso dos anúncios, a IA ajuda a dar mais contexto. Por exemplo, além de oferecer uma odd, você pode trazer um insight, como o histórico recente de confrontos. Isso deixa o anúncio mais contextualizado, mais interessante e mais eficiente.

Um exemplo: vão jogar Espanha e Inglaterra. Além de divulgar as odds no anúncio, o operador pode dar um contexto e dizer “a Espanha ganhou da Inglaterra no último confronto entre as seleções”. Ou seja, você fornece um insight e deixa o anúncio mais contextualizado, interessante e eficiente. 

Você está na Sportradar desde 2020. Nesse período de seis anos, houve muitas competições internacionais importantes no futebol, como a  Copa do Mundo de Clubes, Eurocopa, Copa América e a própria Copa do Mundo de 2022. Qual o balanço que você faz desses torneios? 

Vou te dar um dado interessante que estávamos revisando no começo do ano: a final da Copa do Mundo de Clubes foi, globalmente, o evento com o maior turnover de 2025. Foi um evento realmente expressivo que surpreendeu muita gente.

Já a previsão para a Copa do Mundo de seleções deste ano são de US$ 50 bilhões em apostas, em turnover estimado —  cerca de US$ 1,2 bilhão por dia durante os 39 dias de Mundial. É muita aposta e, nisso, é possível ver a grandeza do evento. 

No consolidado da Eurocopa e Copa América de 2024, vimos um aumento de 495% nos FTDs [first time deposits] dos anunciantes que usam publicidade contextualizada em tempo real. Houve ainda uma queda no custo de aquisição de mais ou menos 69%. 

Na Copa do Mundo do Catar, de 2022, os nossos anunciantes de Latam aumentaram os investimentos em mais de 100% durante os dias de Mundial: se o investimento era de 10x, ele passou a ser de 20x. São todos dados da Sportradar.

Além do Brasil, quais mercados do continente também têm se destacado?

O mercado do Peru está muito forte. Ele foi regulamentado mais ou menos junto com o Brasil e vem crescendo bastante. O Equador também está crescendo, e a América Central, mesmo com países pequenos, forma um conglomerado interessante com uma população total de 50 a 60 milhões de habitantes.

Para finalizar a entrevista, gostaria de acrescentar algo que não foi perguntado?

Gostaria de destacar a questão do branding. As marcas são muito focadas em performance, o que não está errado, mas percebo que branding ainda é visto como um tabu porque é mais difícil de mensurar. Justamente por isso, muitos ficam mais reticentes em investir em branding.

O que a gente vê é que as marcas mais fortes são aquelas que tiveram investimento consistente em branding, construíram uma narrativa ao longo do tempo. 

Já houve casos de marcas que reduziram investimentos em branding (onde antes investiam bastante), passaram a investir mais em performance e tiveram uma queda no resultado. 

Sempre gosto de trazer esse ponto para a conversa: a estratégia não deve ficar só focada em performance. O branding é um caminho mais difícil, mais caro e de longo prazo, mas é o que diferencia os grandes operadores.



Para ler mais matérias sobre o impacto do Mundial no mercado de apostas online, confira o suplemento "As Bets e a Copa", lançado pelo Yogonet.


Todo o conteúdo do suplemento possui caráter exclusivamente informativo. Não há qualquer vínculo comercial com a FIFA, nem o objetivo de promover ou comercializar produtos ou serviços relacionados à competição.  

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