A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgou o resultado de uma pesquisa sobre o comportamento dos consumidores durante a Copa do Mundo de 2026. O levantamento, feito em parceria com o SPC Brasil e o Offerwise Pesquisas, constatou que 41% dos entrevistados pretendem apostar em bets durante a competição.
“O engajamento com apostas financeiras será uma marca forte da Copa de 2026 [...] Esse comportamento é mais prevalente entre o público masculino e as classes A/B. Além das plataformas digitais, os tradicionais ‘bolões’ entre amigos mantêm sua relevância social, atraindo 14% dos entrevistados”, diz um comunicado oficial da CNDL.
A entidade, no entanto, faz um alerta. Isso porque 61% dos consumidores que pretendem gastar durante o Mundial têm dívidas atrasadas. De acordo com a pesquisa, dentro desse grupo endividado, 70% possuem o “nome sujo”, ou seja, estão negativados.
Além disso, 74% dos que vão apostar disseram ver nas bets uma maneira de obter dinheiro para pagar dívidas, visão que contraria a imagem de entretenimento constantemente defendida por reguladores e empresas de apostas.
Se acertarem os palpites, 39% dos apostadores disseram que devem fazer novas apostas com os valores obtidos para tentar alavancar os ganhos. Também foram mencionados gastos com lazer e luxo (36%), aquisição de bens como eletrônicos e vestuário (34%) e a quitação de débitos (34%).
“O fenômeno das apostas esportivas para este Mundial introduz uma camada de complexidade e risco financeiro que exige atenção redobrada. Observamos uma tendência preocupante onde a aposta deixa de ser um mero entretenimento para ser encarada por uma parcela significativa da população como uma estratégia de sobrevivência ou ‘tábua de salvação’ para quitar dívidas pendentes”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.
“Esse comportamento, associado ao alto índice de negativados entre os potenciais consumidores, aponta para uma vulnerabilidade econômica latente, onde a esperança de liquidação financeira através da sorte pode acabar aprofundando o ciclo de endividamento de muitas famílias brasileiras”, complementa Pellizzaro Júnior.
A pesquisa da CNDL, SPC Brasil e Offerwise ouviu, pela internet, consumidores das 27 capitais brasileiras, com idade igual ou maior de 18 anos.
A amostragem consistiu em 916 casos em um primeiro levantamento para identificar quantas pessoas tinham intenção de gastos para a Copa, reduzindo posteriormente para 600 (somente com os que pretendem gastar durante a competição). Os dados foram coletados entre 27 de abril e 5 de maio deste ano.
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