A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou o resultado de uma pesquisa com cerca de dois mil entrevistas sobre as eleições e o cenário político do Brasil. O levantamento incluiu perguntas relacionadas às apostas online, com a maioria dos entrevistados demonstrando uma opinião negativa sobreo setor.
Para 71,9% dos respondentes, as bets representam um “problema grande” para a sociedade brasileira. Em seguida, vêm os que acreditam que são um “problema médio” (12,2%) e que não representam um problema (8,7%). Para 2,2%, são um “problema pequeno”, ao passo que 4,9% não souberam ou não responderam.
Imagem: reprodução/CNTEm outra pergunta, a pesquisa questionou se as bets mais prejudicam ou mais beneficiam as famílias. Nesse caso, a visão negativa é ainda maior: 77,3% disseram que as casas de apostas têm papel prejudicial. A porcentagem de pessoas que acreditam que elas não influenciam na vida das famílias foi de apenas 12,7%. Já 4,1% afirmaram que as bets têm ajudado.
Imagem: reprodução/CNTOs entrevistados foram perguntados ainda sobre o futuro das casas de apostas online. Para 38,4%, elas deveriam ser proibidas de operar no Brasil, ao passo que 22,1% gostariam de ver uma maior fiscalização em cima do segmento. A proibição de publicidade do setor e a imposição de limites de gastos foram defendidas, respectivamente, por 9,8% e 9,3%.
Imagem: reprodução/CNTA pesquisa foi feita entre 8 e 12 de abril em formato presencial, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais. A íntegra está disponível neste link.
Os números foram divulgados em um momento no qual o setor de apostas online enfrenta críticas públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No último dia 8, ele disse que, “se depender de mim, a gente fecha as bets” — poucos dias após a declaração, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), apresentou um projeto de lei que proíbe as apostas online.
Principal adversário de Lula nas eleições de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou um vídeo no dia 12 de abril em que critica a Lei 14.790, responsável por regulamentar as apostas online.
Na publicação veiculada em suas redes sociais, o pré-candidato a presidente faz uma avaliação negativa da situação econômica do Brasil e associa as bets ao endividamento da população.
Em entrevista ao Yogonet no dia 13 de abril, o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, avaliou que o setor precisa estar preparado para enfrentar pressão política e questionamentos públicos em um ano eleitoral. Ele, no entanto, destacou que os problemas apontados por Lula e Flávio Bolsonaro estão ligados ao mercado ilegal, não aos operadores regulamentados.
“Os problemas que têm acontecido — endividamento, menores de idade jogando — não são problemas do mercado regulado, das empresas com licença. As insatisfações manifestadas pelo presidente são nitidamente de problemas trazidos pelo mercado ilegal”, disse Lemos Jorge.
"A fala do pré-candidato Flávio vai no mesmo sentido: ele quer jogar a culpa da falta de regulamentação do governo anterior na gestão atual, o que está errado também. Essa regulamentação deveria ter sido feita lá atrás no governo Bolsonaro. Ela não foi feita e isso deu margem ao mercado ilegal, que está dominando o cenário brasileiro e causando esse tipo de problema", acrescentou.