Um projeto de lei apresentado na Câmara Municipal de Manaus (AM) pretende impedir que beneficiários de programas sociais municipais realizem apostas online. A proposta, de autoria do vereador Rodrigo Guedes (Republicanos), ainda não foi votada.
O Projeto de Lei nº 519/2026 estabelece que o recebimento de benefícios sociais, auxílios e programas de transferência de renda mantidos pelo município ficará condicionado à não realização de apostas em plataformas eletrônicas ou em qualquer modalidade de jogo de azar.
Pelo texto, a identificação de transações financeiras destinadas a casas de apostas poderá resultar na suspensão imediata do benefício por 90 dias para análise da situação socioeconômica do beneficiário. Em casos de reincidência, a proposta prevê o cancelamento definitivo do benefício e a impossibilidade de ingresso em novos programas sociais municipais pelo período de três anos.
Além disso, o projeto determina que beneficiários identificados realizando apostas sejam encaminhados para programas de educação financeira e, quando houver indicação de dependência em jogos, para tratamento de saúde mental voltado à ludopatia.
Na justificativa da proposta, o vereador diz que a prática de apostas seria incompatível com a condição de vulnerabilidade exigida para o recebimento de assistência social. Segundo o texto, "quem tem dinheiro para apostar, não precisa de auxílio".
O parlamentar também defende que a medida busca garantir que os recursos públicos destinados à assistência social cheguem a pessoas em situação de necessidade. Na justificativa, afirma que "o Estado não pode ser um financiador indireto de cassinos virtuais".
Outro ponto previsto no projeto é a possibilidade de o Poder Executivo municipal firmar convênios com o Governo Federal e órgãos reguladores para realizar o cruzamento de dados de CPFs de beneficiários com cadastros de usuários ativos em plataformas de apostas autorizadas.
De acordo com o texto, a iniciativa busca evitar o superendividamento das famílias de baixa renda e reforçar critérios de elegibilidade dos programas assistenciais mantidos pelo município.