ESPECIALISTA EM COMPLIANCE E JOGO RESPONSÁVEL DA FLUTTER BRAZIL

Marco Elias: "Jogo responsável extrapola a obrigatoriedade legal e garante a sustentabilidade do setor"

Imagem: reprodução/web
11-05-2026
Tempo de leitura 4:25 min

No mercado de apostas online, o diferencial real não se limita à qualidade da interface ou à oferta de bônus, mas abrange também a confiança que o usuário deposita na marca. É nisso que acredita Marco Elias, especialista em compliance e jogo responsável da Flutter Brazil, empresa detentora da Betnacional e da Betfair Brasil

Em entrevista exclusiva ao Yogonet, o executivo comentou o lançamento recente da campanha que transformou o atacante Vini Jr. (embaixador da Betnacional) em “Vini Sênior”

Com o mote “Jogue como sênior, com responsabilidade”, a comunicação utiliza o contraste com o termo “Júnior” para apresentar uma versão mais madura do jogador da seleção brasileira e do Real Madrid.

“Queríamos usar a figura global do Vini Jr. para mostrar que o ‘apostador sênior’ é aquele que tem total consciência e controle sobre sua atividade. Essa senioridade se alinha à nossa visão de que a aposta deve ser tratada estritamente como entretenimento”, afirma Elias.

Confira a entrevista:

Como surgiu a ideia de transformar o Vini Jr. em "Vini Sênior" para essa campanha da Betnacional? De que forma esse conceito de senioridade se alinha com a estratégia de jogo responsável da marca?

A ideia de transformar o Vini Jr. em "Vini Sênior" não surgiu como um movimento isolado ou apenas uma campanha publicitária de oportunidade para a Copa do Mundo. Na verdade, ela é o desdobramento natural de um pilar que para a Flutter Brazil é operacional e inegociável: o jogo responsável. 

Já vínhamos pavimentando esse caminho muito antes da regulamentação, como demonstramos na campanha com as atletas olímpicas em 2024. O conceito central aqui é a maturidade. Queríamos usar a figura global do Vini Jr. para mostrar que o "apostador sênior" é aquele que tem total consciência e controle sobre sua atividade. Essa senioridade se alinha à nossa visão de que a aposta deve ser tratada estritamente como entretenimento e de que o controle, seja financeiro ou de tempo, é a chave para que a diversão permaneça saudável e não se torne um problema.

Além da comunicação, quais outras ferramentas de jogo responsável vocês aplicam no dia a dia?

Quanto à detecção de riscos, nosso trabalho vai além de apenas oferecer ferramentas de autoproteção. Embora exista um incentivo para que limites de depósito, perda e tempo sejam configurados como um padrão já no momento do cadastro, operamos com inteligência de dados comportamentais dos nossos apostadores.

Utilizamos a tecnologia para identificar mudanças, como o início de apostas em horários atípicos ou um aumento súbito e desproporcional no volume de transações. Quando esses sinais aparecem, geram alertas que serão monitorados para eventual intervenção.

Quando o limite estabelecido pelo próprio usuário é atingido, o bloqueio do sistema é automático. Além disso, mantemos parcerias estratégicas, como a que temos com a Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), para garantir que aqueles que demonstram comportamentos que fogem do jogo responsável recebam o direcionamento e o suporte especializado necessário.

O jogo responsável é uma obrigação regulatória. No entanto, você diria que é possível ir além do mero cumprimento da lei e torná-lo um diferencial competitivo da Betnacional no mercado? De que forma?

Acredito plenamente que o jogo responsável é uma das nossas maiores vantagens competitivas. No cenário atual, o diferencial real não está apenas na interface ou em bônus, mas na confiança que o apostador deposita na marca.

Quando mostramos que nos importamos genuinamente com a saúde financeira e mental do nosso cliente, estamos construindo um ativo de longo prazo. O jogo responsável extrapola a obrigatoriedade legal; ele é o que garante a sustentabilidade de todo o setor.

Para nós, ser um site confiável significa oferecer segurança para que o usuário jogue de forma recorrente e saudável. É uma questão de ética que se torna um diferencial de mercado, pois o público tende a escolher plataformas que demonstrem essa responsabilidade real, garantindo que o setor seja socialmente aceito.

Imagem: divulgação/Flutter Brazil 

Em junho, começa a Copa do Mundo. Será um período intenso de jogos diários e expectativa de aumento de apostas. Esse cenário traz também um desafio para a empresa na parte de jogo responsável? Digo, ter o cuidado de garantir que, em meio à expectativa do apostador de fazer palpites certeiros, não haja uma relação problemática do usuário com a atividade?

A Copa do Mundo certamente traz um desafio de escala e de temperatura emocional que é diferente de um campeonato regular como o Brasileirão.

A euforia é global e atrai muitos apostadores ocasionais que talvez não tenham o mesmo nível de educação sobre seus próprios limites. É por isso que intensificamos nossas ações no período que antecede o torneio, como fizemos com o lançamento antecipado da campanha de Vini Sênior.

Em meio ao grande volume de transações simultâneas, o desafio é garantir que a empolgação do evento não se transforme em comportamento de risco. Estamos preparados tecnologicamente para que a Copa seja um momento de celebração do esporte com a proteção necessária, tratando o jogo responsável como um guia preventivo em meio ao clima de festa. 

Considerando que o domínio ".bet.br" agora identifica as plataformas licenciadas pelo Ministério da Fazenda, você acredita que essa informação já é de conhecimento do grande público — para além da "bolha" do setor? Qual o risco de o mercado ilegal ganhar força e atrair apostadores durante o período de euforia da Copa do Mundo?

Sobre a comunicação do domínio ".bet.br", ainda temos um grande desafio de educação pela frente. Atualmente, essa informação está muito restrita à "bolha" de quem acompanha o mercado de perto, e precisamos que ela transborde para o grande público.

O risco de canalização para o mercado ilegal durante a Copa é real e preocupante, já que esses operadores irregulares ainda detêm uma fatia considerável do mercado e não oferecem nenhuma das ferramentas de proteção que discutimos.

Nossa missão é reforçar que o ".bet.br" é o único porto seguro do apostador. É fundamental que as pessoas entendam que, ao escolher o mercado legalizado, elas contam com o amparo da lei e com mecanismos de proteção que simplesmente não existem na clandestinidade. O fortalecimento do mercado legal passa, obrigatoriamente, por essa conscientização em massa sobre onde é seguro apostar. 

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