Com o lançamento da nova etapa do programa de renegociação de dívidas Desenrola Brasil pelo governo federal, o setor de apostas tem alertado sobre possíveis consequências com a impossibilidade dos participantes fazerem apostas online pelo período de um ano.
Em nota oficial, o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) afirma que a eficácia das medidas de proteção financeira no Desenrola 2.0 "depende, fundamentalmente, de um combate rigoroso ao mercado ilegal de apostas", e que restrições de acesso ao setor regulamentado podem "gerar um estímulo à migração de usuários para plataformas clandestinas".
O comunicado do IBJR utiliza dados da LCA Consultoria para afirmar que as apostas feitas em plataformas licenciadas teriam movimentado o equivalente a 0,46% do consumo das famílias no país, "uma participação extremamente pequena dentro do orçamento do brasileiro". Ao mesmo tempo, o IBJR afirma que plataformas ilegais já movimentam cerca de R$ 40 bilhões por ano e "operam sem qualquer fiscalização ou mecanismos de proteção ao consumidor".
Essa preocupação é acentuada pela proximidade da Copa do Mundo, período de natural aumento no volume de apostas esportivas, e pela potencial perda de R$ 10,8 bilhões em arrecadação anual para o país caso o consumo seja deslocado para a clandestinidade, afirma a nota.
O IBJR não está sozinho na preocupação. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) já havia chamado a atenção para o que classificou como “contradições extremamente relevantes” na nova fase do Desenrola.
A ANJL também afirma que o gasto médio dos apostadores no Brasil não está entre os que mais comprometem o orçamento familiar, e que os principais causadores do endividamento no país "são os juros altíssimos que a população brasileira paga, principalmente do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial".
Ao fim da nota, o IBJR defende políticas públicas que combinem educação financeira, fortalecimento do jogo responsável e uma ofensiva estratégica contra sites clandestinos, "garantindo que o entretenimento ocorra exclusivamente em um ecossistema seguro, transparente e devidamente fiscalizado".