ENTIDADE DIZ QUE NÚMEROS NÃO CONDIZEM COM DADOS OFICIAIS

Apostas x endividamento: ANJL questiona números de pesquisa da CNC

29-04-2026
Tempo de leitura 1:21 min

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) emitiu uma nota à imprensa em que questiona os números apresentados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) sobre a relação entre apostas online e endividamento.

Na terça-feira, 28 de abril, a CNC divulgou uma pesquisa segundo a qual “o acesso excessivo às apostas online tem pressionado o orçamento da população, levando 268 mil famílias brasileiras à inadimplência severa”. De acordo com a confederação, desde 2023, o gasto mensal com essas plataformas já supera os R$ 30 bilhões. A CNC afirma que parte desse montante estaria sendo retirada diretamente do pagamento de contas essenciais. 

No entendimento da ANJL, os números não condizem com os dados oficiais do governo e do setor. “Além disso, desconsideram a natureza multifatorial do endividamento dos brasileiros. Recortes amostrais não podem se sobrepor às bases públicas disponíveis nem sugerir uma relação causal direta entre apostas online e inadimplência do cliente”, afirmou a associação.

A ANJL questiona o estudo da CNC com base em dados do mercado compilados pela Pay4Fun a partir da Lei de Acesso à Informação (LAI) que mostram que o Brasil registrou cerca de 25 milhões de apostadores em 2025. Desse total, mais da metade teve gastos de até R$ 50 por mês. “Esse cenário evidencia um comportamento incompatível com generalizações sobre grande impacto no orçamento das famílias”, mencionou a associação.

Estudo da LCA Consultoria Econômica aponta ainda que os gastos com apostas representam cerca de 0,46% do consumo das famílias brasileiras, com gasto líquido médio mensal de R$ 122 por apostador, equivalente a 3,3% da renda desse público”, acrescenta a ANJL.

Em relação ao endividamento, a associação trata a questão como um problema histórico e estrutural, associado principalmente ao alto custo do crédito, aos juros elevados e à pressão do custo de vida sobre a renda. “No crédito rotativo do cartão, por exemplo, milhões de brasileiros seguem expostos a uma das modalidades mais caras do sistema financeiro”, diz a nota da entidade.

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