VICE-PRESIDENTE PROMETEU LEVAR DEMANDAS A LULA

Atacadistas sugerem a Alckmin pacote contra avanço de bets sobre renda

Vice-presidente Geraldo Alckmin (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
07-05-2026
Tempo de leitura 2:13 min

Restrição '"firme" à publicidade de apostas online, bloqueio do Pix social para CNPJs de bets, política de Estado com restrições nos moldes do cigarro e "políticas sanitárias" sob responsabilidade do Ministério da Saúde.

Estas são algumas das propostas que a Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (Abaas) apresentou ao vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), para restringir o avanço do setor de apostas sobre a renda da população.

Em reunião na segunda-feira, 4 de maio, a entidade argumentou que as bets, combinadas com o endividamento elevado, estão entre as principais responsáveis pela fragilidade do consumo.

Segundo noticiou a coluna Capital, em O Globo, o documento “A roda da economia está travando — hoje no consumo e no endividamento das famílias. Amanhã, na economia inteira” foi entregue a Alckmin pelo CEO do Assaí e presidente do conselho da Abaas, Belmiro Gomes. Também participaram da reunião Renato Costa, presidente da Friboi, e Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC).

Imagem: Freepik

O material indica que o Brasil concentrou mais de um quinto do tráfego mundial para sites de apostas, e que “métricas oficiais convivem com uma economia paralela cujo tamanho é subestimado”, referindo-se ao mercado ilegal. Os atacadistas alegam que o consumo brasileiro passou por uma divisão, chamada de  "efeito K", em que houve expansão dos canais voltados à alta renda e retração dos canais da classe C. 

Afirmam também que o varejo para alta renda cresceu nos últimos dois trimestres de 2025, enquanto o contrário aconteceu no varejo para rendas menores. "Em 2025, a cesta básica ficou mais barata. Mesmo assim, o consumo da baixa renda recuou. O problema não é preço —é renda comprometida", escreve o órgão.

"Acesso Excessivo"

A pressão de setores mais tradicionais de vendas tem sido intensa desde a regulamentação. 

No final de abril, a Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou uma pesquisa segundo a qual “o acesso excessivo às apostas online tem pressionado o orçamento da população, levando 268 mil famílias brasileiras à inadimplência severa”. De acordo com a confederação, desde 2023, o gasto mensal com essas plataformas já supera os R$ 30 bilhões. A CNC afirma que parte desse montante estaria sendo retirada diretamente do pagamento de contas essenciais. 

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) refutou esses argumentos, afirmando que os números não condizem com os dados oficiais do governo e do setor.

Em resposta à época, a ANJL usou dados do mercado compilados pela Pay4Fun a partir da Lei de Acesso à Informação (LAI) que mostram que o Brasil registrou cerca de 25 milhões de apostadores em 2025. Desse total, mais da metade teve gastos de até R$ 50 por mês. “Esse cenário evidencia um comportamento incompatível com generalizações sobre grande impacto no orçamento das famílias”, escreveu.

Desvio da renda

Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, Alckmin prometeu levar as demandas para o presidente Lula. 

A ABAAS aponta que dados apurados pela NielsenIQ estimam que 76% dos lares brasileiros abastecem-se em alguma rede de atacarejo e, portanto, um suposto desvio da renda da população em direção a apostas e jogos teria consequências nas vendas dos representados pela associação. 

Os membros da ABAAS venderam R$ 370 bilhões em 2025. 

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