Formada a partir de uma parceria entre a MGM Resorts International e o Grupo Globo, a BetMGM Brasil foi uma das casas de apostas presentes no SBC Summit Rio 2026. Durante o evento, o product manager da companhia, André "Sapuca" Nogueira, falou com exclusividade ao Yogonet sobre o momento vivido pelo mercado, a expectativa com a Copa do Mundo e os diferenciais da BetMGM.
Na visão do executivo, além do combate aos operadores ilegais, o setor também tem o desafio da educação do consumidor brasileiro e de criar uma "experiência digital que não seja baseada simplesmente em distribuição barata de bônus".
Nogueira definiu ainda a marca como uma das que vieram para ficar e conduzir a inovação no mercado, destacando o fato de contar com uma plataforma proprietária. "A BetMGM é um dos poucos operadores no Brasil que são à prova de futuro. Nós somos à prova de futuro porque a gente detém a nossa plataforma de cassino, a nossa plataforma de esportes. Isso significa dizer que nenhum outro operador no Brasil tem uma experiência de esportes tão única quanto a nossa", afirmou ele
Confira abaixo a entrevista:
Qual o balanço que você faz do primeiro ano de mercado regulado de apostas online? Qual você acha que foi o saldo?
2025 marcou a transição do modelo de mercado, que deixou de ser aquela expansão desordenada para ter um crescimento mais sólido e com regras. A gente viu, por exemplo, o setor se organizando e passando a, realmente, ter um regulador.
Essa parte da consolidação do mercado foi importante em todas as jurisdições em que as bets foram regulamentadas. No Brasil, não poderia ser diferente. Você não consegue expandir negócios se não tiver previsibilidade jurídica e de negócios. Foi um ano em que passamos a vislumbrar isso no Brasil.
Do ponto de vista do produto, também evoluímos bastante nesse primeiro ano. O Brasil despontou no mercado internacional como um polo de inovação tecnológica no que diz respeito ao combate à fraude, seja através do uso do Pix, seja através da obrigatoriedade da facial recognition, da biometria.
Essas coisas, no início, despontaram como um desafio, mas acabaram colocando o Brasil em posição de destaque no mundo como uma indústria que consegue rastrear os pagamentos e combater a fraude de uma maneira muito eficiente.
O produto evoluiu, a oferta tecnológica evoluiu, o próprio mercado evoluiu. Então, 2025 não poderia ter sido melhor no que diz respeito à consolidação da indústria e à certeza de ter um mercado tão grande quanto se imaginava.
Existe uma preocupação muito grande da indústria com o combate ao mercado ilegal. Você sente que esse é o grande desafio para 2026?
O combate aos operadores clandestinos é um dos desafios. A gente tem muito desafio também na educação do consumidor brasileiro, que tem que enxergar as apostas como entretenimento e não como investimento. Existe ainda esse debate na sociedade que precisa ser vencido.
Existe também uma outra frente, que é o próprio produto. Ele precisa evoluir para entregar uma experiência digital que não seja baseada simplesmente em distribuição barata de bônus, que não leva o usuário a permanecer com as casas, simplesmente leva a uma relação transacional que não é boa para todos.
Mas, sim, você tocou em um dos grandes desafios que a gente tem, que é o combate ao mercado clandestino. A BetMGM tem muito claro que não existe uma pretensão em eliminar completamente as bets clandestinas de uma maneira que fique só os 100% legais. A gente já viu e aprendeu de outras jurisdições que é muito difícil você eliminar 100% [dos clandestinos].
O que nós defendemos é um equilíbrio que entregue um ambiente sólido e previsível para que as bets legais façam negócios de tal maneira que você não tenha, a cada seis meses, uma mudança no cenário de impostos, por exemplo. Você tem uma outorga para um período de cinco anos. Passou 20% desse período e a gente já tem discussões sobre subir o imposto, já tem agora um imposto subindo para 15% e está se discutindo mais ainda.
Obviamente que a gente não é contra pagar imposto. Só queremos atingir um nível de equilíbrio de tal maneira que a operação seja viável e que não coloque as bets legais em um ponto que se torne inviável para a maioria delas e que o consumidor vá buscar refúgio em uma bet ilegal.
O governo começou com o bloqueio de dezenas de milhares de domínios. Mas fazer domínio é tão fácil quanto trocar de camisa. Depois, o governo evoluiu para a tentativa de coibir os provedores de pagamento, que estão servindo essas bets clandestinas. Isso é uma das maneiras mais eficientes de fazer [o combate].
A gente sabe que existe uma previsão de uma evolução para quem está fornecendo anúncios a essas plataformas. Elas estão chegando ao consumidor através de quais redes sociais, de quais anúncios?
Todas essas indústrias que são plugadas na indústria de gaming precisam contribuir também. Então, pagamentos e anúncios são as próximas fronteiras a serem conquistadas pelo regulador.
Para você ter um ambiente saudável de negócios aqui no Brasil, os operadores também têm que dar o exemplo. A gente quer operadores fortes que cumpram as regras, e, com o operador forte cumprindo as regras, fica mais fácil para o ambiente regulamentado se proliferar.
Daqui três meses, começa a Copa do Mundo. A edição de 2026 será simbólica por duas razões. Primeiro, vai ser a maior Copa do Mundo da história em termos de número de partidas e seleções. Segundo, será a primeira Copa com o mercado regulado no Brasil. Qual a sua expectativa para o torneio? Você acha que haverá um grande volume de novos apostadores entrando no mercado?
Grandes eventos esportivos sempre trazem um volume maior de pessoas interessadas em apostar. Isso, obviamente, traz o desafio de ter uma plataforma estável, que consiga dar conta de grandes picos de volume e acesso.
Traz também o desafio de ter uma oferta de mercados de apostas esportivas, de jogos, de props em que o jogador quer apostar.
Do ponto de vista mais estratégico, temos que estar preparados para gerar uma retenção saudável. Eu não quero que, durante as cinco semanas da Copa do Mundo, o jogador conheça a BetMGM só porque ela está, digamos, com os melhores bônus de apostas ou só porque durante aquele período da Copa do Mundo a gente foi ultra competitivo, mas depois a gente não é mais.
Queremos, na verdade, que aquelas cinco semanas deixem os usuários impressionados positivamente com o produto, com a comunicação, com o suporte ao usuário de tal maneira que eles queiram ficar com a gente. Esse é o desafio e a oportunidade da Copa do Mundo: picos de acesso com retenção de qualidade.
O Brasil tem em torno de 80 empresas de apostas reguladas. A BetMGM traz o nome da MGM, que já tem uma chancela internacional, e também o Grupo Globo. Você acha que isso é um grande diferencial para conquistar a preferência do apostador?
É interessante você citar isso porque todo mundo diz que esse é o mercado de commodities. Todo mundo sempre fala “mas como você consegue se diferenciar sendo que os mesmos jogos de cassino, os mesmos mercados, estão em outros competidores também?”.
A gente acredita que existe algo além do commodity. Existe todo um meio que permeia o commodity, que são realmente as experiências oferecidas para o jogador. A BetMGM é, talvez, a mais legítima representante de Las Vegas aqui no Brasil. É muito natural e confortável dizer que as nossas experiências são diferenciadas.
Vou citar um exemplo. Sem fazer tanto alarde, a gente pagou o maior jackpot da indústria de gambling do Brasil: R$ 9,3 milhões em uma aposta de R$ 1. Esse prêmio é sete vezes maior do que o segundo maior prêmio de jackpot já pago no Brasil. Se isso não é uma experiência única e típica de Las Vegas, eu não sei o que é.
Os nossos VIPs, os nossos jogadores de alto valor, por exemplo, podem contar com a estrutura de Las Vegas, os hotéis da rede MGM, do Bellagio, do Aria. Eles podem visitar Las Vegas e ter um quarto de hotel quando eles quiserem. É uma coisa que só a BetMGM consegue oferecer.
Algumas pesquisas mostram o futebol dominando a preferência dos apostadores. Em termos de jogos, também são muito populares os crash games. O que você sente do apostador da BetMGM? Qual tipo de jogo tem mais aderência junto ao público?
No que diz respeito à aposta esportiva, a gente vê, claro, o futebol dominando a preferência do brasileiro, com basquete e tênis correndo por fora.
A gente tem também uma oferta de e-soccer. Estou falando do FIFA sendo jogado no Twitch como uma modalidade esportiva que você pode apostar. Temos muita demanda disso, e é bacana que tenha caído no gosto do brasileiro.
No que diz respeito ao cassino, não é muita surpresa que haja uma preferência por jogos cuja mecânica não seja maçante ou morosa, uma mecânica que tenha muita vibração e muita emoção.
Jogos que oferecem muita emoção e vibração com chances de ganhar alto são realmente os que cativam. O gênero crash obviamente caiu no gosto do brasileiro, além dos slots em que você consegue participar da fase de bônus ou slots em que você tem um max prize muito avantajado.
Não poderia deixar de citar as mecânicas gamificadas. Então, por exemplo, a gente tem na nossa plataforma esportiva (que é proprietária, aliás), uma gamificação das apostas esportivas que a gente chama de “missões”.
À medida que você faz a aposta esportiva, você está completando pontos, cumprindo missões, para poder desbloquear um prêmio. Temos observado uma demanda muito grande disso. Os jogadores gostam das missões. Quando começa um jogo de futebol ou basquete, eles querem apostar e usam as apostas nos jogos ao vivo como um acelerador para cumprir as missões gamificadas da plataforma.
É muito legal ver que o jogador brasileiro difere do jogador internacional por esses comportamentos.
Gostaria de acrescentar algo que não foi perguntado?
A BetMGM é um dos poucos operadores no Brasil que são à prova de futuro. Nós somos à prova de futuro porque a gente detém a nossa plataforma de cassino, a nossa plataforma de esportes. Isso significa dizer que nenhum outro operador no Brasil tem uma experiência de esportes tão única quanto a nossa.
O mercado tem cerca de 80 competidores, e a grande maioria deles usa uma solução white label, que é alugada de outra plataforma. Isso não dá competitividade para o futuro. Quando o funil apertar ali na frente, quem tem uma experiência única e detém autonomia para melhorar o produto é aquele que vai realmente conduzir a inovação.
A gente se sente muito confortável de olhar para o futuro e saber que a BetMGM veio para ficar e ser uma das bets que vão conduzir a inovação dessa indústria.