Já aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto de lei (PL) que cria a Universidade do Esporte aguarda discussão no Senado. Um dos trechos do texto estabelece que parte do financiamento da nova instituição pode vir dos recursos obtidos com a tributação das bets e repassados pelo Ministério do Esporte dentro do percentual já estabelecido pela legislação, sem aumento de impostos.
Se aprovada a sua criação, a instituição será mais um dos projetos de importância social que contam algum financiamento do setor de bets, que também contribui com áreas como a segurança pública, saúde e seguridade social a partir dos impostos que são arrecadados pela União.
“A destinação de recursos provenientes das apostas regulamentadas para a criação e manutenção da Universidade Federal do Esporte demonstra como a regulação pode gerar impactos positivos e estruturantes para o país”, destaca Alex Rose, CEO da InPlaySoft.
“Quando bem direcionada, a receita do setor contribui para o desenvolvimento educacional, científico e esportivo, fortalecendo toda a cadeia do esporte brasileiro. Para a InPlaySoft, é um exemplo claro de como um mercado regulado, transparente e sustentável pode impulsionar inovação, formação de talentos e crescimento de longo prazo”, complementa Rose.
"A consolidação do mercado regulado de apostas tem trazido resultados concretos para a sociedade. Em 2025, o Estado arrecadou R$ 9,95 bilhões em impostos provenientes das bets, segundo dados da Receita Federal. O segmento já é responsável por mais de 10 mil empregos diretos e outros 5,5 mil indiretos, movimentando uma ampla cadeia produtiva. No campo social, o modelo regulado representa um avanço importante, ao estabelecer práticas de jogo responsável, proteger menores e garantir a rastreabilidade das operações financeiras, fatores que fortalecem a transparência e o combate a fraudes. Trata-se de um setor que une arrecadação, inovação e segurança para o cidadão", detalha João Fraga, CEO da Paag, techfin facilitadora de pagamentos.
Imagem: reprodução/webAs cifras de R$ 9 bilhões arrecadadas em 2025 são resultado da aplicação de uma alíquota de 12% sobre a receita bruta dos jogos (GGR), além da incidência de outros tributos, como PIS (Programa de Integração Social) e o Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).
Ao considerar a carga tributária total do setor, a alíquota chegou aos 32% em 2025 — e ainda deverá atingir o patamar de 42% em 2033, quando a Reforma Tributária estará plenamente em vigor —, segundo estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) à LCA Consultoria.
"Trata-se de mais uma prova de que as empresas do setor, além de gerar quase uma centena de milhares de empregos, também são importantes para outros ramos da economia nacional e têm uma preocupação social. É um dos setores mais tributados do país e tem levado benefícios para a sociedade, como apoio à educação e atividades que fazem parte da cultura do povo brasileiro, exemplo do esporte e do Carnaval", analisa Bernardo Cavalcanti Freire, sócio do Betlaw, escritório de advocacia especializado no setor de betting.
“O setor de apostas esportivas regulamentadas tem um papel relevante no desenvolvimento econômico e social do país. Além da arrecadação de impostos e repasses legais, movimenta uma ampla cadeia produtiva, financia o esporte brasileiro por meio de patrocínios e contribuições previstas em lei e amplia a profissionalização do setor, além da geração de empregos. Hoje, a 1PRA1 gera 80 empregos diretos e 150 indiretos”, complementa Eduardo Biato, CSO da 1PRA1, patrocinadora do Avaí FC e do Cruzeiro Basquete.
Já segundo um levantamento da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, as companhias responsáveis pelas apostas tiveram GGR de 37 bilhões no acumulado de 2025. É sobre esse montante que recai a obrigação de que 12% sejam convertidos em destinações legais.
Além do montante destinado via impostos, o setor de bets também tem impulsionado a economia brasileira, somando atualmente R$ 7,5 bilhões em capital próprio investido, valor que tem potencial de gerar até R$ 28 bilhões em demanda adicional em outros segmentos produtivos da economia. Os dados são do levantamento “Panorama do Mercado de Apostas de Quota Fixa”, desenvolvido pela LCA Consultoria e pela Cruz Consulting, e divulgado no final de 2025.
A geração de empregos no setor também é outro dos destaques do estudo, ao indicar que o mercado de apostas responde por 10 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos no país. Outros dos fatores destacados são que os vínculos formais triplicaram desde a aprovação da lei que regulamentou as bets no Brasil (Lei nº 14.790/23) e que o salário médio no setor é de R$ 7 mil, o que representa mais do que o dobro da média nacional (R$ 3,2 mil, segundo o IBGE).
Além disso, o estudo também destacou que os empregos diretos no setor legal de apostas geram uma massa salarial anual de R$ 460 milhões, além de R$ 87 milhões em encargos sociais que financiam segmentos de proteção social.
Apesar dos avanços desde a regulamentação do setor de apostas esportivas no Brasil, o mercado ilegal de bets segue como um dos principais problemas do segmento no país.
Estimativas do setor, calculadas pela LCA Consultoria, apontam que a fatia das plataformas clandestinas corresponde a algo entre 41% e 51% do mercado. Já o estudo “Fora do Radar”, também conduzido pela LCA – em parceria com o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável e realizado em junho de 2025 – revelou que mais de 61% dos apostadores brasileiros jogaram em bets ilegais.
Os números se tornam problemáticos na medida em que as bets clandestinas não seguem muitas das diretrizes da regulamentação vigente para o setor e causam prejuízos ao governo com o não pagamento de impostos.
Imagem: Pexels Outros riscos trazidos pelos operadores ilegais são: propagandas abusivas que vinculam as bets ao enriquecimento, a ausência de ferramentas de jogo responsável e dos devidos mecanismos de monitoramento proativo dos apostadores nas plataformas para identificar padrões suspeitos de comportamento compulsivo.
“O setor de bets apresenta enorme potencial para impulsionar a economia do país, considerando arrecadação de impostos, geração de empregos e até investimentos em áreas como o esporte e o futebol. O primeiro ano da regulamentação já deixou isso claro, mas ainda é fundamental que o setor avance em pontos essenciais, como o incentivo real ao jogo responsável, a prevenção ao jogo problemático, a educação do público sobre as probabilidades de perda e o combate ao mercado clandestino, que opera fora da lei e deixa os apostadores sem qualquer proteção”, analisa o influenciador Daniel Fortune.
Entre as principais formas de fechar o cerco ao mercado ilegal, especialistas da indústria defendem como a mais eficaz das medidas o estrangulamento do fluxo financeiro das operações clandestinas.
"Sem meios financeiros, essas operações clandestinas perdem a capacidade de atuar, protegendo jogadores, empresas sérias e todo o ecossistema. A regulamentação foi um marco esperado por muito tempo, e permitir que esse avanço seja comprometido por práticas ilegais seria um retrocesso inaceitável", explica Fraga.