As bets em operação no Brasil tiveram um Gross Gaming Revenue (GGR) de R$ 37 bilhões em 2025, segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda divulgados pelo site Poder360. O GGR é o termo usado para se referir à diferença entre os valores recebidos em forma de apostas e aqueles pagos como prêmios.
O ano de 2025 marcou a estreia do mercado regulado de apostas online, que, antes disso, operava sem uma legislação específica.
“Houve a recepção de dados, que permitem conhecer o setor, de forma objetiva, além de se ter ferramentas de monitoramento para acompanhar o cumprimento das regras criadas. Temos o dimensionamento econômico e as informações das pessoas, o que nos ajuda na prevenção de problemas do jogo e possibilita atuarmos de forma articulada com outras instituições”, disse, em nota ao Poder360, o secretário de Prêmios e Apostas, Regis Dudena.
Na quinta-feira, 22 de janeiro, foi divulgado também um outro dado importante sobre o segmento. De acordo com a Receita Federal, o governo federal arrecadou R$ 9,9 bilhões com a tributação sobre as apostas online em todo o ano de 2025.
A quantia diz respeito não apenas à alíquota de 12% do GGR, mas a todos os impostos que incidem sobre as empresas do setor. Em comparação com o ano passado, houve um salto de mais de 10.000% na arrecadação. Na época, o segmento ainda não estava regulado e o montante arrecadado pela União foi de R$ 91 milhões. Confira aqui o relatório completo da Receita Federal.
Apesar do avanço da regulamentação, representantes da indústria apontam que o combate ao mercado clandestino, que opera sem licença, sem recolher impostos e sem seguir regras de jogo responsável, ainda é um grande desafio.
Em junho do ano passado, por exemplo, foi estimado que mais da metade do mercado nacional de apostas online operava na ilegalidade, provocando prejuízos bilionários aos cofres públicos e expondo consumidores a riscos. A informação foi levantada pelo estudo “Fora do Radar: Dimensionamento e impactos socioeconômicos do mercado ilegal de apostas no Brasil”, elaborado pela LCA Consultores em parceria com o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e Instituto Locomotiva.
Segundo o levantamento, entre 41% e 51% das apostas feitas no Brasil ocorrem em plataformas não regulamentadas. Essa atuação ilegal provocou, apenas no segundo trimestre do ano, uma perda fiscal (ou seja, valor que o governo deixou de arrecadar) estimada entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2,7 bilhões. Em 12 meses, o rombo pode atingir R$ 10,8 bilhões.
O valor seria suficiente para pagar o salário anual de até 184 mil professores da educação básica ou construir 41 mil unidades do programa Minha Casa, Minha Vida.
Até o momento, a SPA já solicitou o bloqueio de cerca de 25 mil sites de apostas ilegais. Além disso, 500 contas bancárias identificadas como facilitadoras de pagamentos para operadores clandestinos foram fechadas, de acordo com o site BNLData.
Em relação ao controle publicitário, a SPA firmou parcerias com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), com o Conselho Digital e com empresas de tecnologia para reforçar o monitoramento. Essas parcerias permitiram a remoção de 229 peças publicitárias e 324 perfis em redes sociais que promoviam sites ilegais de apostas.
Em breve, será lançado também um laboratório virtual de combate a apostas ilegais, fruto de um trabalho conjunto entre SPA, Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e outros órgãos.