POSSÍVEL SUBIDA DE IMPOSTOS

Representantes do mercado de bets comentam propostas de aumento de tributação

Imagem: Pexels
08-12-2025
Tempo de leitura 2:54 min

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, na última terça-feira, 2 de dezembro, um projeto que aumenta a tributação das bets. A medida eleva a alíquota cobrada sobre o Gross Gaming Revenue (GGR) das empresas de jogos de 12% para 15% (em 2026 e 2027) e 18% (a partir de 2028)

Em seguida, na quarta-feira, 3 de dezembro, foi a vez do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentar o relatório do projeto de lei (PL) Antifacção. Ele acrescentou um dispostivo que estabelece a alíquota de 15% nas transferências feitas por pessoas físicas para as plataformas de apostas

Chamada de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre apostas (CIDE-Bets), a cobrança será calculada utilizando o modelo "por dentro", ou seja, a alíquota incidirá sobre o valor total transferido pelo apostador. O recolhimento dessa arrecadação será feito por meio de retenção na fonte, realizada diretamente pelas instituições financeiras no momento em que os recursos forem transferidos.

De acordo com Vieira, a ideia é que o projeto sirva para o financiamento do combate ao crime organizado. A CIDE-Bets tem o potencial de gerar anualmente R$ 30 bilhões, conforme dados do Banco Central. A matéria segue na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio do Betlaw, escritório de advocacia especializado em bets, alerta sobre os riscos de mais aumentos de impostos para o setor das apostas esportivas.

"Já houve, nesta semana, uma aprovação pelo Senado Federal do aumento de impostos para o segmento de betting. Não é razoável que, em menos de um dia após essa decisão da Comissão de Assuntos Econômicos, haja a proposta de uma nova taxação do setor. Essas medidas prejudicam o mercado legal (que paga impostos, gera empregos, investe no esporte nacional) e beneficiam o mercado ilegal, que traz diversos malefícios para o país", afirma Freire.

Segundo uma pesquisa divulgada em junho pelo LCA Consultores em parceria com o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e Instituto Locomotiva, neste ano, 61% dos apostadores usaram plataformas não licenciadas.

"A sugestão da CIDE-Bets é a mais favorável ao mercado clandestino de apostas que já foi proposta no Congresso. Expõe de forma surpreendente um desconhecimento da realidade do setor por parte de alguns legisladores, já que nenhum país executou a medida com sucesso. A Colômbia, por exemplo, viu uma queda de 50% nos depósitos ao adotar algo similar. A razão é simples: sempre que percebe qualquer taxação sobre o valor que deposita para jogar, o consumidor migra automaticamente para operadores clandestinos", complementa Freire.

A ilegalidade ainda domina uma parcela significativa do mercado de apostas no Brasil, representando um risco crescente para o Estado e para os consumidores. De acordo com o mesmo estudo da LCA Consultores, entre 41% e 51% do mercado nacional opera de forma ilícita. Esse cenário resultou em uma perda de arrecadação fiscal estimada entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2,7 bilhões somente no segundo trimestre de 2025.

Para Alex Rose, CEO da InPlaySoft, empresa internacional de tecnologia voltada para o setor das apostas esportivas, uma alta taxação dos impostos para as bets fomenta as plataformas ilegais

"O aumento significativo de impostos aprovado pelo Senado pode prejudicar o setor regulamentado e impulsionar o mercado ilegal. É importante que o governo reavalie essa decisão com cautela, considerando o papel do segmento na geração de empregos, no investimento esportivo e na movimentação da economia nacional."

O estudo da LCA Consultores aponta, além do impacto econômico, uma significativa vulnerabilidade dos apostadores: 78% relatam dificuldades para diferenciar sites de apostas legais de ilegais e quase metade já realizou depósitos em plataformas fraudulentas. De acordo com as casas de apostas devidamente legalizadas pelo governo, é crucial que as operações clandestinas de bets sejam interrompidas no país.

"O combate às operações ilegais é essencial para a consolidação de um mercado regulado e confiável no Brasil. O bloqueio de sites clandestinos representa um avanço importante na defesa do consumidor, na prevenção à lavagem de dinheiro e na valorização das empresas que atuam em conformidade com as normas. Essa medida fortalece a credibilidade do setor e demonstra o compromisso do país com uma indústria de apostas mais íntegra e transparente", afirma Nickolas Ribeiro, sócio e fundador do Grupo Ana Gaming, holding das marcas 7k, Cassino e Vera.

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