O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), defendeu a proibição das apostas online no Brasil e acusou as bets de “financiarem um monte de coisa errada”. A declaração foi dada ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, na terça-feira, 12 de maio.
Na entrevista, Boulos fez um breve retrospecto das apostas, mencionando que elas foram legalizadas no governo de Michel Temer (MDB) e passaram os quatro anos da gestão Jair Bolsonaro (PL) sem regulamentação, que só veio na atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ele, no entanto, criticou a regulamentação do setor. “O Lula entrou e falou ‘vamos botar ordem na casa’. E tentou uma regulamentação que o Congresso aprovou. [...] O fato é que não resolveu. Essa é a realidade. O Lula tem a consciência disso: a regulamentação aprovada pelo Congresso não resolveu”, declarou o ministro.
“O Brasil precisa discutir hoje o que quer, se quer deixar as bets ganhando bilhões. Vamos falar o português claro: essas bets estão financiando um monte de coisa errada. Um monte de operação que teve da Polícia Federal pegou bet envolvida com lavagem de dinheiro… Não vou generalizar, mas [são] várias. As bets estão financiando um monte de perfil na rede social para atacar o governo Lula, exatamente porque a gente tem essa posição”, continuou Boulos.
A fala pode ser vista abaixo, a partir dos 17 minutos e 23 segundos:
Para Magnho José, editor do site BNLData e presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IJL), as críticas recorrentes ao setor fazem parte de uma estratégia eleitoral adotada pelo PT e aliados, que culpam as bets pelo endividamento da população.
Na visão de Magnho, a defesa da proibição vai contra o trabalho de regulação e fiscalização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda e da Secretaria de Apostas Esportivas do Ministério do Esporte. O período sem regulamentação é, inclusive, chamado por ele de “período selvagem dos quatro anos do governo anterior, sem nenhuma proteção do Estado”.
“A ‘indústria da proibição’ é uma atividade muito lucrativa e é preocupante que um ministro de Estado lidere o lobby para manter esta atividade na clandestinidade. A verdadeira questão não é se ela deve existir, mas quem a governa — o Estado ou a ilegalidade”, comentou Magnho.