Para 35,3% dos entrevistados ouvidos na pesquisa Latam Pulse, da Atlas Intel/Bloomberg, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o principal responsável pela disseminação das apostas online no país.
Em segundo lugar, vem a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mencionada por 26,2% dos respondentes. O Congresso (11,8%) e o Supremo Tribunal Federal (2,7%) aparecem em seguida. Já 13,7% dos entrevistados disseram que nenhum deles é o grande responsável, ao passo que 10,3% não souberam responder.
Imagem: reprodução/Latam PulseA pesquisa é divulgada em um momento no qual Lula vem intensificando as críticas às apostas online em pronunciamentos e entrevistas a veículos de comunicação. Em 8 de abril, em entrevista ao ICL Notícias, o chefe do Executivo chegou a dizer que se dependesse dele, “fecharia” as bets no país.
Já no dia 14 do mesmo mês, defendeu que “é preciso que a gente tente controlar essa jogatina que tomou conta dos meios de comunicação no Brasil, seja no mundo digital ou virtual. Ou seja, nós precisamos efetivamente tentar terminar com essa guerra de jogatina que está no Brasil”.
As apostas online foram legalizadas em 2018 no governo do então presidente Michel Temer (MDB). Na época, a medida provisória (MP) que tratou do tema estabeleceu um prazo máximo de quatro anos para que as bets fossem regulamentadas, mas o assunto acabou ignorado pela gestão de Bolsonaro, entre 2019 e 2022.
Nesse período, as bets se expandiram sem regras claras, sem recolhimento de tributos e sem a fiscalização de um ente regulador. Em eventos e discussões da indústria de apostas, esse fator é comumente apontado como responsável por muitos dos problemas relacionados ao setor.
No final de 2023, já no atual mandato de Lula, o Congresso aprovou a Lei 14.790, que estabeleceu diretrizes claras para a atividade. Entre elas, o recolhimento de impostos, a obrigatoriedade de adquirir uma licença para atuar no país e medidas de proteção ao apostador.
Em 2024, foi criada a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), pasta vinculada ao Ministério da Fazenda e responsável por regular o setor. Nos meses seguintes, foi feita a publicação de uma série de portarias que complementaram a Lei 14.790.
Desde janeiro de 2025, o Brasil tem um mercado regulado de apostas online — o segmento, no entanto, ainda enfrenta desafios como a forte presença de operadores ilegais e discussões em torno do impacto da atividade no endividamento da população.
Outros dados
A pesquisa da Atlas Intel/Bloomberg também demonstra que os brasileiros têm uma visão negativa sobre as apostas online em si: 63,2% acreditam que as bets trazem somente prejuízos. Apenas 0,5% disseram que elas possuem mais benefícios do que malefícios.

Quando questionados sobre uma eventual proibição da atividade, 70% disseram que “concordam totalmente” com a ideia. A porcentagem sobe para 80% quando a afirmativa é “as empresas de apostas deveriam pagar mais impostos”.
A pesquisa da Atlas Intel/Bloomberg teve 5.008 respondentes, com entrevistas feitas entre 22 e 27 de abril. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos. Os dados completos estão disponíveis neste link.