A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) notificou, neste sábado, 11 de abril, o Instituto de Pesquisas Datafolha para que forneça informações sobre os critérios técnicos e a metodologia utilizada em uma pesquisa prestes a ser divulgada que insere as bets entre os fatores de endividamento.
Para a ANJL, a inclusão da indústria de apostas esportivas e jogos online nesse contexto pode levar a "associações indevidas, generalizações inadequadas e conclusões potencialmente distorcidas. Isso porque, por exemplo, as perguntas formuladas, conforme divulgado pela imprensa, não distinguem os operadores de apostas legais dos ilegais".
A ausência dessa distinção, continua a ANJL, compromete a percepção da realidade, uma vez que cerca de metade do mercado atualmente é operado por sites clandestinos.
Outro ponto questionado pela entidade é a inclusão das apostas, um serviço de entretenimento, entre modalidades de crédito (financiamento imobiliário, cartão de crédito, crédito consignado, etc).
"Por fim, ainda que a pesquisa seja realizada por uma amostragem, como todas as outras, os resultados percentuais transmitem uma mensagem sugestiva como se estivessem se referindo à toda a população ou quase à sua totalidade. Enquanto créditos bancários, em diversas modalidades, estão, esses sim, presentes na vida de quase todos os brasileiros adultos, dados do Ministério da Fazenda apontam que há apenas 28 milhões de CPFs cadastrados nos sites legalizados, o que representa cerca de 12% da população brasileira", argumenta a ANJL.
“Os operadores de apostas não estão questionando o papel do Datafolha e nem de qualquer outro instituto de pesquisa. O que o setor está pedindo é uma divulgação isenta, sem distorções e sem equiparações que não fazem sentido, como o das apostas com empréstimos bancários”, afirmou Plínio Lemos Jorge, presidente da associação.
O questionamento da ANJL ocorre no momento em que as bets são criticadas pelo dois lados principais pré-candidatos à presidência. Depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizer, na última quarta-feira, 8 de abril, que tem vontade de proibir as bets, o senador Flávio Bolsonaro (PL) criticou a Lei 14.790 em vídeo publicado nas redes sociais em 12 de abril. Aprovada no atual governo, a legislação mencionada pelo parlamentar foi a responsável por regulamentar as casas de apostas.