Em artigo para a Games Magazine Brasil, o especialista em iGaming da Jantalia Advogados Filipe Senna levanta questões sobre as possíveis restrições "significativas" aos meios de pagamento do setor determinadas pelo Ministério da Fazenda, apenas em PIX e cartões de débito.
Leia o artigo abaixo:
A regulamentação das apostas esportivas e dos cassinos on-line no Brasil alcançou um novo marco com a consolidação da Instrução Normativa nº 1.330, emitida pelo Ministério da Fazenda em 2023 e agora amplamente divulgada na mídia eletrônica com maior ênfase. Essa norma impõe restrições significativas aos meios de pagamento do setor, limitando-os ao PIX e aos cartões de débito.
Essa decisão, oficialmente parte da legislação, reflete a preocupação em proteger o apostador do superendividamento e do vício do jogo, constituindo uma política de jogo responsável e de prevenção do jogo patológico ou potencialmente compulsivo.
Ao excluir os cartões de crédito como opção de pagamento, o governo pretende evitar que os cidadãos se endividem além de suas capacidades financeiras. Além disso, a chave PIX vinculada aos dados do jogador garante que as apostas sejam feitas com fundos já presentes na conta bancária do apostador.
No entanto, essa mudança regulatória pode ter um impacto significativo sobre os objetivos reais da regulamentação do setor de apostas esportivas e cassino on-line no Brasil - aumentar a receita no país em comparação com outras jurisdições. Em muitos mercados internacionais, como os Estados Unidos, grande parte das apostas é feita por meio de crédito, o que levanta dúvidas sobre a competitividade do mercado brasileiro sob as novas regras, mesmo com a existência do inovador PIX no Sistema Financeiro Nacional.
A Instrução Normativa nº 1.330, portanto, representa um delicado equilíbrio entre a proteção do consumidor e os interesses econômicos e fiscais do Estado. Ao mesmo tempo em que se busca proteger os cidadãos de práticas financeiramente prejudiciais, é crucial considerar as implicações dessas restrições no setor de jogos e apostas e na receita tributária.
O debate agora se volta para a forma como as partes interessadas do setor, incluindo as operadoras de apostas e os órgãos reguladores, se adaptarão a essas mudanças.