Os mercados de previsão deixaram de ser uma alternativa de nicho nos Estados Unidos e se consolidaram como uma das principais opções para apostas relacionadas à Copa do Mundo de 2026.
Levantamento da SEON, plataforma SaaS global focada em prevenção de fraudes online e compliance, mostra que os prediction markets já aparecem como a segunda escolha mais popular entre os consumidores americanos interessados em apostar durante o torneio, aproximando-se das operadoras tradicionais e registrando forte adesão entre os millennials.
A pesquisa, realizada com 588 adultos nos Estados Unidos, indica que 19% dos entrevistados pretendem utilizar essas plataformas durante a competição. Entre os millennials, o índice sobe para 36%, praticamente empatado com os aplicativos licenciados de apostas esportivas, escolhidos por 38% desse público.
Os dados sugerem que grandes eventos esportivos estão acelerando a adoção desse modelo de mercado entre apostadores mais jovens e familiarizados com diferentes plataformas digitais.
Embora os aplicativos de apostas regulamentados permaneçam na liderança, com preferência de 29% dos entrevistados, o crescimento dos prediction markets reforça uma mudança no comportamento dos usuários e amplia os desafios para empresas do setor. Segundo a SEON, essas plataformas passam a enfrentar questões semelhantes às observadas nas casas de apostas tradicionais, especialmente em áreas como prevenção a fraudes, verificação de identidade e monitoramento de atividades suspeitas.
Fraudes
O estudo também aponta que a Copa deve impulsionar significativamente a movimentação do mercado de apostas. Entre os entrevistados, 43% afirmaram que pretendem apostar nos jogos do Mundial, apesar de 45% declararem não confiar plenamente na capacidade das plataformas de proteger dados pessoais e financeiros durante períodos de grande volume de transações.
Outro fator de atenção envolve práticas que podem aumentar a exposição a fraudes. Mais de um quinto dos participantes admitiu criar múltiplas contas para aproveitar promoções, enquanto parte dos usuários relatou utilizar contas de terceiros ou acessar links de apostas recebidos por redes sociais e aplicativos de mensagens.
“A Copa do Mundo vai exercer uma pressão enorme sobre as plataformas de apostas, e não apenas por causa do volume de operações. Trabalhamos com algumas das maiores operadoras de apostas e jogos do mundo e, de forma consistente, ouvimos que o desafio não está apenas em identificar agentes mal-intencionados. A dificuldade é diferenciar um cliente legítimo que busca aproveitar uma promoção de uma rede organizada de fraude fazendo exatamente a mesma coisa em larga escala", afirma Matt DeLauro, presidente de Go-to-Market (GTM) da SEON.
"Os consumidores pretendem apostar, mas ainda não confiam plenamente nas plataformas que utilizam. Ao mesmo tempo, quase um quarto deles já adota comportamentos, como a criação de múltiplas contas, que tornam a detecção de fraudes mais complexa. Essa combinação de alto volume de atividade, baixa confiança e intenções difíceis de distinguir é o que torna eventos como este tão desafiadores de proteger”, finaliza.
No Brasil, uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) publicada em abril proibiu mercados de previsão de atuarem em eventos fora da temática financeira. Ou seja, essas plataformas não podem oferecer negociações sobre esportes para usuários brasileiros. O Ministério da Fazenda também solicitou o bloqueio de sites como Polymarket e Kalshi em território nacional.
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