Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende abordar o tema das bets durante a campanha eleitoral deste ano.
“Se depender da vontade do presidente da República — e vou dizer isso durante a campanha —, eu sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço de utilidade a esse país”, afirmou Lula na entrevista realizada na sexta-feira, 22 de maio.
Questionado pela influenciadora Nath Finanças sobre o motivo de ter sancionado a regulamentação das apostas online em vez de proibir a atividade, o mandatário disse que essa decisão não depende só dele e mencionou o fato do PT não ter maioria no Congresso.
Segundo Lula, caso a regulamentação fosse vetada, o veto seria derrubado pelos parlamentares. Ele disse também que as bets possuem forte influência no Congresso.
“Hoje, o futebol depende das bets. Você tem que saber qual é a bet séria e qual não é. Você pode deixar uma ou outra funcionando. Agora, o que você não pode deixar é o os ‘Tigrinhos da vida’ funcionarem”, argumentou Lula.
O presidente, no entanto, não explicou a quais plataformas se referia ao usar o termo “Tigrinhos da vida” — em parte da imprensa e no meio político, o Jogo do Tigrinho, apelido do caça-níquel online Fortune Tiger, passou a ser frequentemente utilizado como sinônimo para as bets.
O trecho da entrevista sobre as apostas online pode ser conferido abaixo, a partir dos 58 minutos:
A fala de Lula confirma algo que já era previsto pela indústria de apostas: a presença das bets como um dos temas na eleição presidencial. O setor tem sido alvo recorrente de críticas e questionamentos tanto de políticos ligados ao governo como da oposição. A maioria desses ataques se concentra em questões como vício, acesso de menores de idade e endividamento.
Em abril, por exemplo, o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou um vídeo em que critica a regulamentação das bets e culpa Lula pelo endividamento da população.
Enquanto isso, a cada mês, o Congresso recebe novos projetos de lei que buscam restringir e até proibir a atividade, como é o caso de uma proposta assinada por 68 deputados federais, também em abril.
Representantes do setor de apostas, como a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), frequentemente contestam as críticas feitas à indústria com números que apontam uma parcela pequena dos gastos mensais da população com apostas online, o que, por si só, não causaria endividamento em massa.
O setor também alega que operadores regulados já adotam medidas de jogo responsável para coibir o acesso de menores de idade e diminuir os riscos de endividamento e vício. O mesmo não acontece nas plataformas ilegais, afirmam as entidades, que defendem um combate mais rigoroso às bets clandestinas.