Os jogos de azar online não regulamentados atingiram US$ 5,9 trilhões (R$ 29,7 trilhões, na cotação atual) em valor global de apostas em 2025, segundo uma análise da empresa Gaming Compliance International (GCI). A título de comparação, o montante é mais do que o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, que ficou em R$ 12,7 trilhões no ano passado.
A GCI calcula ainda que os operadores não regulamentados concentram 78% do Gross Gaming Revenue (GGR) no mundo. A sigla faz referência à diferença entre os valores apostados e os pagos como prêmios pelas plataformas. Apenas 22% estariam nas mãos de empresas regulamentadas.
Na análise, o termo "jogos de azar online não regulamentados" inclui apostas esportivas, cassinos, pôquer, jogos com criptomoedas e loterias que atuam sem licença. O relatório também considerou os mercados de previsão de eventos esportivos, exceto nos Estados Unidos, onde são classificados e regulamentados como produtos financeiros pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC).
Os valores estimados para os operadores que atuam sem regulamentação vêm em crescimento. De acordo com a GCI, em 2023, eles tinham um valor global de US$ 5,1 trilhões (R$ 25,7 trilhões, na cotação atual), crescendo para US$ 5,4 trilhões em 2024 (R$ 27,2 trilhões) e, no ano passado, para US$ 5,9 trilhões.
“Com US$ 5,9 trilhões em valor de apostas, os jogos de azar online não regulamentados são um dos maiores sistemas econômicos do mundo, operando em grande parte fora da supervisão regulatória. Os reguladores não estão enfrentando um desafio marginal, mas sim dominante — a maior parte da atividade está ocorrendo além do perímetro regulamentado”, afirmou Matt Holt, CEO da GCI.
“O que estamos vendo agora é um mercado de jogos de azar de três setores em todas as jurisdições — regulamentado, não regulamentado e não reconhecido — e é essa terceira camada que está acelerando a confusão do consumidor, o crescimento não regulamentado e a complexidade regulatória em grande escala. O público não faz distinção entre esses setores. Eles vivenciam um único mercado, onde tudo é acessível e tudo compete igualmente”, comentou Ismail Vali, presidente da GCI.
O relatório completo da empresa pode ser baixado neste link.
A análise dialoga diretamente com a realidade do Brasil, que também enfrenta uma forte presença de operadores clandestinos nas apostas online. Em junho de 2025, um levantamento estimou que entre 41% e 51% das apostas feitas no país ocorrem em plataformas não regulamentadas.
Além disso, 61% dos apostadores ouvidos admitiram ter utilizado plataformas ilegais em 2025 — muitas vezes sem saber que eram irregulares. Os dados são do estudo “Fora do Radar: Dimensionamento e impactos socioeconômicos do mercado ilegal de apostas no Brasil”, elaborado pela LCA Consultores em parceria com o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e Instituto Locomotiva.
É importante considerar que, justamente pelos operadores ilegais atuarem na clandestinidade, sem recolhimento de impostos e sem fiscalização, não é possível saber a quantia exata movimentada por essas plataformas no Brasil ou no mundo. Estimativas podem variar conforme a fonte responsável pela análise, a metodologia empregada e o período estudado.