MARCO TULIO OLIVEIRA

“Excesso de tributação é o maior combustível para o mercado ilegal de apostas”, alerta CEO da Ana Gaming

Imagem: divulgação/Ana Gaming
24-04-2026
Tempo de leitura 2:09 min

Em entrevista à CNN Brasil Money, Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming — holding que opera as marcas 7K Bet, Cassino Bet e Vera Bet — trouxe uma análise sobre o atual cenário do setor de apostas no Brasil. 

Em um momento de escrutínio legal e fiscal, o executivo destacou que a principal pauta da indústria hoje é o combate ao mercado ilegal, mas alertou que a elevação na tributação pode surtir o efeito oposto ao desejado.

Durante a entrevista, Oliveira detalhou como o aumento na alíquota sobre o Gross Gaming Revenue (GGR) — que subiu de 12% para 13% este ano, escalando para 14% em 2027 e 15% em 2028 — coloca em risco a viabilidade dos operadores licenciados. Para o CEO, o Brasil possui uma das melhores estruturas regulatórias do mundo, mas corre o risco de "passar do limite".

"O operador legal seguiu todas as regras para atuar por cinco anos, mas a regra mudou no meio do caminho. Se continuarmos com essa majoração tributária, a propensão é o fomento do mercado ilegal", afirmou Oliveira.

Segundo o executivo, estima-se que cerca de 50% do mercado brasileiro ainda seja ilegal. “Se diminuirmos a ilegalidade pela metade, aumentamos a arrecadação em 50% sem precisar subir impostos”, pontuou.

O CEO explicou ainda que o peso dos tributos (que chegam a 30%-40% da arrecadação total), somado aos altos custos de compliance, força o operador legal a reduzir investimentos no esporte, na cultura e a oferecer odds menos competitivas. Isso empurraria o apostador para plataformas não oficiais, que não pagam impostos e operam sem garantias de proteção ao consumidor.

Copa do Mundo e impacto econômico

Com 2026 sendo um ano de Copa do Mundo, o setor vive um momento de tração global. Oliveira ressaltou que a indústria já é um motor econômico real para o Brasil, citando que apenas nos dois primeiros meses de 2026, as contribuições das empresas somaram cerca de R$ 2,5 bilhões aos cofres públicos — valores inexistentes há dois anos.

Responsabilidade e consumo consciente

Questionado sobre os impactos sociais e as críticas sobre o comprometimento da renda familiar, o CEO da Ana Gaming adotou uma postura transparente: "O consumo em excesso de qualquer produto ou serviço faz mal. Temos que cuidar desta indústria da mesma forma que cuidamos da indústria de bebidas. O foco deve ser o entretenimento seguro e o cuidado com o excesso, separando o jogo responsável das práticas nocivas", pontuou.

Ainda durante a entrevista, Oliveira defendeu uma abordagem de "mãos dadas" entre o poder público e a indústria para mitigar riscos sociais. Para o CEO da Ana Gaming, o setor deve ser tratado como uma indústria de entretenimento que compete com diversas outras opções de lazer, exigindo um olhar atento para a parcela da população que ultrapassa os limites do consumo saudável.

"A forma de tratar a indústria é entrar junto com ela, entender os números e cuidar daquela parcela mínima que sai do entretenimento e vai para o excesso. Os operadores têm todo o interesse em ser apoiados nesse cuidado, até porque já desenvolvemos diversas ações próprias para estabelecer e reforçar os limites que já existem," explicou Oliveira.

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