MERCADO DE APOSTAS NO BRASIL É O QUARTO MAIOR NO MUNDO

IBIA e IBJR divulgam estudo inédito que compara cenários regulatórios de 12 países

07-03-2024
Tempo de leitura 4:43 min

A International Betting Integrity Association (IBIA), a H2 Gambling Capital e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) divulgaram, nesta quarta-feira (6), o estudo ‘Disponibilidade de produtos das apostas esportivas: uma análise econômica e de integridade’, com dados inéditos sobre o mercado.

Entre estudos e comparações com mais de 11 países, o cenário regulatório das apostas esportivas no Brasil foi destaque como estudo de caso diante das discussões sobre as novas regras e taxação.

Confira o conteúdo na íntegra neste link.

O documento, que analisa e compara o mercado da Austrália, Brasil, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Reino Unido, Itália, Holanda, Ontário, Portugal, Espanha e Suécia, apontou que nos últimos cinco anos, as apostas esportivas online cresceram mais de cinco vezes a taxa das apostas feitas por operadoras físicas (22,7% vs. 4,3% CAGR). E também destacou que o Brasil é hoje, o quarto maior mercado do mundo para o setor.

A conclusão central do estudo é que existe uma forte correlação entre a ampla disponibilidade de produtos de apostas esportivas e a proporção de consumidores que fazem apostas em operadores de apostas desportivas regulamentados onshore (conhecida como taxa de canalização), reduzindo assim o risco de exposição a apostas desportivas.


De acordo com o estudo, a partir dos dados de canalização de outras jurisdições já reguladas, o tamanho do mercado e a canalização onshore seriam afetados negativamente se houvesse alguma restrição aos produtos de apostas esportivas no Brasil.

Restrições rigorosas poderiam fazer com que cerca de US$ 18 bilhões por ano fossem apostados em operadoras offshore, afetando negativamente a proteção ao jogador e a integridade esportiva, que são significativamente menores nas operadoras offshore, uma vez que não estão sujeitas às regras locais.

O estudo também aponta um dado preocupante: um mercado de apostas esportivas altamente restritivo poderia custar ao governo brasileiro US$ 1 bilhão em perda de receita tributária entre 2025 e 2028.

De acordo André Gelfi, diretor-presidente do IBJR, “já está comprovado pelas experiências internacionais que restrições e proibições aos diferentes mercados das apostas esportivas, como escanteios, cartões amarelos, por exemplo, são grandes desafios para a arrecadação”.

“Isso é algo que nos preocupa. Quando falamos sobre integridade do esporte, é preciso pensar para além da proibição de algumas categorias a fim de garantir a aplicabilidade de um entretenimento efetivo e seguro no Brasil”, continua.

As expectativas atuais diante do cenário brasileiro, segundo a IBIA, é de que um mercado liberal será estabelecido no país, com a possibilidade de uma alta taxa de canalização onshore e retornos fiscais de US$ 2,3 bilhões em ganhos brutos em 2025. A H2 Gambling Capital calcula que essa abordagem poderia atingir US$ 34 bilhões em volume de negócios de apostas esportivas e US$ 2,8 bilhões em ganhos brutos onshore até 2028.

Na opinião de Khalid Ali, CEO da IBIA, o estudo confirma que as restrições aos diferentes mercados de apostas são um instrumento contundente e contraproducente. “Eles não impedem as apostas, apenas as conduzem aos mercados não regulamentados, onde surge a maioria dos problemas com a integridade esportiva. As conclusões são claras: se você deseja proteger os consumidores e os esportes dos corruptos, ao mesmo tempo em que maximiza as receitas fiscais, é essencial permitir uma ampla gama de produtos de apostas esportivas”.

David Henwood, Diretor da H2 Gambling Capital, acrescentou: “Sempre recorremos aos dados. Há muitas hipóteses de que uma das principais razões pelas quais os clientes usam sites de apostas offshore é porque eles oferecem uma gama de produtos mais ampla do que a disponível no território regulado. Os resultados do estudo reforçam esse ponto de vista. Limitar a escolha dos tipos de apostas onshore – incluindo ao vivo – é basicamente contraproducente”, disse.

“Em vez disso, os mercados mais bem sucedidos na limitação do jogo offshore – evidenciado por uma taxa de canalização de mais de 90% – são aqueles que geralmente abriram seu fornecimento onshore para uma ampla escolha de produtos. Há muito que pode ser aprendido aqui em termos de regulamentação de melhores práticas.”

Crescimento dos jogos online

O estudo detalha a crescente popularidade global das apostas desportivas. Em 2024, prevê-se que as apostas esportivas globais valham 94 bilhões de dólares em ganhos brutos e atinjam aproximadamente 132 bilhões de dólares em 2028, com mais de 70% (93 bilhões de dólares) online.

Prevê-se que pouco menos de metade (47%) de todas as apostas desportivas online sejam feitas ao vivo (ou ao vivo) em 2024, aumentando para 51% em 2028.

Também compara o sucesso de diferentes abordagens regulamentares para gerir esta procura crescente. Constata que as jurisdições que permitem uma vasta gama de produtos de apostas, como a Grã-Bretanha (97%), têm uma taxa de canalização de consumidores onshore muito mais elevada do que países que restringem o acesso a mercados de apostas importantes, como Portugal (79%; restringe futebol e ténis), Austrália (75%; proíbe jogos online) e Alemanha (60%; restringe futebol, tênis e jogos ao vivo).

No Brasil, por exemplo, espera-se que um quadro regulatório com elevada disponibilidade de produtos gere 34 bilhões de dólares em volume de negócios de apostas onshore, proporcionando 2,8 bilhões de dólares em GGR, até 2028.

Portanto, as principais conclusões do estudo são as seguintes:

  • Ele avalia o impacto no mercado da disponibilidade dos principais produtos de apostas esportivas com base nos dados de mercado da H2, nos dados reais do operador e nos dados de alerta da IBIA. A rede de monitoramento e alerta da IBIA cobre um volume de negócios global de apostas B2C de mais de US$ 273 bilhões em 2023, e mais de US$ 300 bilhões se os membros B2B da IBIA forem incluídos, e utiliza dados de monitoramento transacional baseados em contas.
  • Prevê-se que os principais mercados de apostas em futebol (resultado, handicap e golos) gerem mais de 500 bilhões de dólares em volume de negócios em 2024, com 370 bilhões de dólares provenientes de apostas online.
  • Prevê-se que os mercados laterais do futebol, nomeadamente cartões e cantos, representem 70 bilhões de dólares em volume de negócios e 7 bilhões de dólares em receitas tributáveis a nível mundial.
  • A introdução de restrições rigorosas aos produtos no Brasil resultaria em apostas offshore de US$ 18 bilhões por ano e em mais de US$ 1 bilhão em impostos perdidos sobre jogos de azar entre 2025-28.
  • Prevê-se que a América do Norte atinja cerca de 5,4 bilhões de dólares em GGR no basquetebol até 2028 e será apoiada por um forte crescimento na Europa e na Ásia, com aumentos de mais de 20% e 30% no GGR para 2,3 bilhões de dólares e 3,2 bilhões de dólares esperados durante este período, respetivamente.
  • É razoável presumir que as apostas prop em jogos da NBA e da NCAA fora dos EUA podem exceder as de qualquer estado individual dos EUA que possa proibir tal atividade
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