CAI USO DE EMPRÉSTIMOS PARA FINANCIAR APOSTAS

Percepção de que bets causam vício cresce entre brasileiros, diz pesquisa do Datafolha

Imagem: Pixabay
17-06-2026
Tempo de leitura 2:21 min

A percepção dos brasileiros de que as apostas esportivas online e os jogos de cassino online estão associados ao vício aumentou nos últimos dois anos. É o que mostra uma pesquisa do Datafolha, divulgada pela Folha de S.Paulo, que aponta também uma redução no uso de recursos como poupança, crédito e empréstimos para financiar a atividade.

Segundo o levantamento, realizado em maio de 2026 com 1.970 entrevistados em 139 municípios brasileiros, a parcela da população que considera que as bets e os jogos online representam um vício passou de 54% em 2024 para 57% em 2026.

Além disso, 31% dos entrevistados classificam as apostas como uma perda de dinheiro, percentual praticamente estável em relação ao levantamento anterior. Já aqueles que enxergam a atividade como uma forma de diversão recuaram de 9% para 6%, dentro da margem de erro da pesquisa.

Apenas 1% dos brasileiros afirmam considerar as apostas uma fonte de renda, enquanto outros 1% as veem como investimento financeiro.

Uso de poupança, empréstimos e cartão de crédito recua

Outro dado relevante da pesquisa envolve as formas de financiamento utilizadas pelos apostadores. Na comparação com novembro de 2024, houve redução em praticamente todos os indicadores analisados.

Entre os entrevistados que já apostaram em bets ou jogaram em cassinos online, 19% afirmaram ter utilizado dinheiro guardado na poupança ou em investimentos para apostar, contra 22% no levantamento anterior.

O percentual dos que deixaram de comprar algo para direcionar recursos às apostas caiu de 19% para 11%. Já aqueles que utilizaram o cartão de crédito para jogar passaram de 15% para 10%. O uso dessa modalidade de pagamento em apostas é proibida pela regulamentação — no entanto, em plataformas ilegais, não há qualquer garantia de que essa restrição é cumprida.

A pesquisa também identificou redução entre os que recorreram a empréstimos para apostar. O índice caiu de 15% para 8%, enquanto a parcela dos que deixaram de pagar alguma conta para financiar apostas recuou de 13% para 6%.

Como a margem de erro para o grupo específico de apostadores é maior, de seis pontos percentuais, os resultados devem ser analisados com cautela. Ainda assim, os dados sugerem uma possível mudança de comportamento dos jogadores.

Percentual de apostadores permanece estável

Apesar do aumento da percepção negativa sobre as apostas, o percentual de brasileiros que afirmam apostar atualmente permaneceu inalterado.

De acordo com o Datafolha, 7% dos brasileiros com 18 anos ou mais dizem apostar em bets ou jogar em cassinos online atualmente, mesmo índice registrado em novembro de 2024.

Já os que nunca apostaram ou deixaram a atividade representam 93% da população adulta.

Homens e jovens seguem liderando perfil dos apostadores

A pesquisa também traçou o perfil dos jogadores ativos no país. Os dados mostram que a atividade continua concentrada entre homens e pessoas mais jovens.

Entre os homens, 11% afirmam apostar atualmente, enquanto entre as mulheres esse percentual é de 3%.

Na divisão por idade, os índices mais elevados aparecem entre os jovens. Entre pessoas de 18 a 24 anos, 13% seguem apostando. Na faixa de 25 a 44 anos, o percentual chega a 20%, enquanto entre aqueles com 45 anos ou mais o índice é de 4%.

O valor médio mensal destinado às apostas esportivas online é de R$ 241 por pessoa, enquanto nos cassinos online a média de gastos é de R$ 232 mensais.

Fonte: Pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo. O levantamento foi realizado entre 20 e 21 de maio de 2026, com 1.970 entrevistas em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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