O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) promoveu nesta terça-feira, 2 de junho, um workshop para jornalistas com o objetivo de detalhar os mecanismos de proteção ao apostador exigidos das operadoras regulamentadas pelo Governo Federal.
O encontro reuniu especialistas em regulamentação, identidade digital e operações de apostas para apresentar como o setor tem utilizado reconhecimento facial, prova de vida, validação documental e monitoramento de dispositivos para reforçar a segurança das plataformas.
Além de completar os primeiros meses de operação sob o novo marco regulatório brasileiro, o setor já se prepara para a Copa do Mundo de 2026, que deverá representar um aumento expressivo no volume de apostas, transações financeiras e tentativas de fraude digital.
Durante a apresentação, o advogado André Santa Rita, sócio do Pinheiro Neto Advogados e especialista na área de jogos e apostas, afirmou que o modelo regulatório brasileiro adotou exigências consideradas rigorosas até mesmo por operadores internacionais.
"As empresas internacionais, deparadas com a regulamentação, ficaram até meio assustadas e impactadas com o que estava sendo pedido ali", afirmou.
Segundo o especialista, a regulamentação foi construída com foco na proteção dos consumidores e da sociedade, estabelecendo mecanismos de identificação dos usuários, monitoramento das operações e prevenção a práticas ilícitas.
Santa Rita também destacou que a atividade de apostas é legal no Brasil, mas exige acompanhamento constante por parte do poder público.
"Acredito demais na nossa capacidade de construir um ambiente saudável para a exploração dessa atividade econômica", declarou.
Um dos temas centrais do workshop foi o avanço das fraudes digitais impulsionadas por ferramentas de inteligência artificial.
Pedro Moreno, executivo da Unico, empresa especializada em identidade digital e parceira de diversas operadoras de apostas, afirmou que as tentativas sofisticadas de fraude cresceram significativamente nos últimos meses.
"Quando a gente olha 2024 até o início desse ano, a gente observou um crescimento nas tentativas sofisticadas de fraude de mais de dez vezes", disse.
Imagem: reprodução/workshop IBJR
Segundo ele, a popularização de tecnologias de IA generativa e deepfakes reduziu as barreiras para a atuação de fraudadores.
"Hoje, com essa popularização das ferramentas, a gente vê pessoas conseguindo lançar ataques da sua casa usando deepfakes", alertou.
A empresa informou que realizou mais de 1,5 bilhão de verificações de identidade no último ano e que sua base possui cobertura superior a 96% da população brasileira. No mercado regulado de apostas, as soluções incluem validação de dados cadastrais, reconhecimento facial, prova de vida, análise documental e verificação dos dispositivos utilizados pelos usuários.
De acordo com Moreno, a identidade digital tornou-se um elemento central para garantir a sustentabilidade do setor: "A identidade vira um tema muito central para a gente conseguir ter um ecossistema com crescimento sustentável e também com proteção a todas as pessoas", afirmou.
Imagem: reprodução/workshop IBJR
A proximidade da Copa do Mundo de 2026 foi apontada pelos participantes como um dos principais desafios para o mercado regulado.
Segundo estudo apresentado pela Unico, a expectativa é que o volume de transações relacionadas às apostas cresça significativamente durante o torneio, exigindo das operadoras uma infraestrutura robusta de autenticação e prevenção a fraudes.
O evento será a primeira Copa do Mundo realizada desde a implementação do mercado regulado de apostas de quota fixa no Brasil, cenário que deverá colocar à prova os sistemas de segurança adotados pelas empresas licenciadas.
Para a Copa do Mundo, a Unico projeta mais de 150 milhões de transações em apostas.
André "Sapuca" Nogueira, líder de produto da BetMGM no Brasil, apresentou números relacionados à utilização das ferramentas de validação de identidade. Segundo o executivo, a parceria com a Unico permitiu à empresa escalar o processo de cadastro de usuários sem comprometer a experiência dos apostadores.
"A gente se orgulha de ter uma das jornadas de onboarding mais leves da indústria, que não deixa de ser a mais segura", afirmou.
De acordo com Nogueira, o tempo médio de validação de identidade na plataforma é de aproximadamente 23 segundos, abaixo da média observada no mercado.
O executivo também destacou que cerca de 85% dos usuários encontram seus documentos previamente validados na base da empresa de identidade digital, reduzindo etapas durante o cadastro.
No campo da segurança, os números apresentados chamaram atenção: "A gente conseguiu evitar mais de 1 milhão de tentativas de fraudes transacionais", afirmou.
Segundo ele, aproximadamente 700 mil dessas tentativas ocorreram durante a etapa de prova de vida, mecanismo utilizado para confirmar que a pessoa que realiza o cadastro ou operação é realmente quem afirma ser.
"A confiança virou parte central da experiência digital", concluiu.