No Brasil e nos demais mercados da América Latina, os operadores são obrigados a repensar suas estratégias de retenção. Mariana Tostes, Gerente Sênior de Contas para o Brasil da RubyPlay, analisa por que ferramentas de engajamento baseadas na jogabilidade, como Missões e Torneios, construídas em torno de eventos dentro do jogo, estão ganhando cada vez mais relevância na região.
Confira a análise de Tostes:
A América Latina é atualmente uma das regiões de crescimento mais acelerado da indústria global de iGaming, mas também se tornou um mercado altamente competitivo, à medida que operadores locais e internacionais disputam participação de mercado.
Com o avanço da regulamentação em mercados como Brasil e Peru, operadores ingressam rapidamente no setor com estratégias de aquisição cada vez mais semelhantes, baseadas em bônus de boas-vindas, rodadas grátis e campanhas promocionais de curto prazo. Embora essas táticas possam ajudar inicialmente a atrair jogadores, elas têm se mostrado cada vez menos eficazes para construir fidelidade de longo prazo.
Ferramentas de engajamento projetadas para manter o interesse dos jogadores por períodos mais extensos já demonstraram eficácia em mercados maduros de iGaming. Campanhas populares, como torneios e missões, por exemplo, têm gerado bons resultados para os operadores. No entanto, até mesmo essas ferramentas promocionais começaram a sofrer desgaste, já que muitos cassinos oferecem propostas semelhantes.
O desafio é que grande parte das ferramentas tradicionais de engajamento continua baseada em mecânicas ligadas à carteira do jogador, recompensando o comportamento de gasto em vez da interação efetiva com o jogo. Os usuários são incentivados a depositar mais, apostar mais ou atingir determinados objetivos promocionais, mas pouco desse engajamento está conectado à experiência de entretenimento em si.
Em contrapartida, acreditamos que as ferramentas de engajamento construídas em torno da própria jogabilidade representam o futuro das campanhas promocionais, pois podem oferecer mais valor tanto para os operadores quanto para os jogadores.

Os jogadores esperam cada vez mais experiências dinâmicas, e não apenas transacionais. Mecânicas promocionais genéricas, por si só, já não são suficientes para gerar fidelidade significativa, especialmente em um cenário com um número crescente de operadores.
Em vez de recompensar principalmente os gastos dos jogadores, o engajamento baseado na jogabilidade valoriza os momentos que acontecem dentro da experiência de jogo. Por isso, as novas ferramentas promocionais da RubyPlay, Missões e Torneios, são baseadas em elementos como a ativação de funcionalidades, a obtenção de combinações específicas ou o cumprimento de objetivos durante a própria sessão de jogo.
O resultado é uma experiência de engajamento mais natural, imersiva e conectada à jogabilidade. Essa diferença é especialmente relevante para o público latino-americano.
Os jogadores da região respondem muito bem a experiências interativas e competitivas. Seja pela forte cultura esportiva, pelos hábitos de jogo em dispositivos móveis ou pela popularidade de formas de entretenimento social, existe uma afinidade natural com sistemas de progressão, conquistas e mecânicas no estilo torneio.
Tradicionalmente, a maioria das ferramentas de gamificação do iGaming opera de forma externa à experiência de jogo. As promoções costumam funcionar como uma camada adicional sobre o produto, em vez de estarem integradas naturalmente a ele. Já as Missões e Torneios da RubyPlay foram desenvolvidos diretamente em torno do ciclo principal da jogabilidade. Em vez de interromper a sessão, o engajamento passa a fazer parte do entretenimento.
Isso também cria um modelo mais justo e inclusivo. Sistemas baseados na carteira do jogador tendem a favorecer aqueles com maior capacidade de gasto, enquanto as mecânicas baseadas na jogabilidade permitem que uma parcela muito mais ampla da base de usuários participe de forma competitiva. Um jogador não precisa ter o maior orçamento para completar missões, ativar funcionalidades ou atingir objetivos dentro de um torneio.
Para os operadores, isso abre oportunidades muito maiores de retenção em todo o ecossistema de jogadores.

Outro diferencial importante é a escalabilidade. Sistemas de engajamento nativos da jogabilidade são significativamente mais difíceis de desenvolver porque os eventos variam entre diferentes títulos. Ao contrário das campanhas genéricas baseadas na carteira do jogador, o engajamento fundamentado na jogabilidade precisa ser construído em torno de eventos exclusivos de cada jogo. Embora isso torne seu desenvolvimento mais complexo, também proporciona uma experiência mais relevante, já que o engajamento está diretamente ligado à dinâmica do jogo.
A RubyPlay enfrentou esse desafio incorporando Missões e Torneios em todo o seu ecossistema de conteúdo, incluindo RubyPlay Studio, Koala Games, Mad Hat Games, xSlots e Firerose.
Isso permite que os operadores ativem campanhas de engajamento consistentes em um portfólio ampliado de produtos, em vez de depender de promoções isoladas para títulos específicos. À medida que os mercados latino-americanos continuam amadurecendo, essa flexibilidade tende a se tornar ainda mais valiosa.
Os operadores competem cada vez mais pela experiência oferecida, pela retenção e pela capacidade de manter os jogadores engajados ao longo do tempo. Nesse contexto, ferramentas de engajamento baseadas na jogabilidade provavelmente terão um papel muito mais importante no futuro da indústria.
Nos mercados regulados emergentes, como o Brasil, também existe a oportunidade de avançar mais rapidamente do que algumas regiões maduras que ainda dependem fortemente de estratégias tradicionais de CRM.
Em vez de construir a retenção exclusivamente em torno de incentivos promocionais e gastos dos jogadores, os operadores latino-americanos têm a possibilidade de criar ecossistemas de engajamento nos quais a própria jogabilidade se torne a base da fidelização. Essa mudança pode, em última instância, redefinir a forma como uma estratégia de retenção bem-sucedida é compreendida em toda a região.