GANHOS PESSOAIS COM INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA

Soldado dos EUA é preso após ganhar US$ 400 mil em aposta na captura de Maduro

Imagem: reprodução/web
28-04-2026
Tempo de leitura 1:37 min

O soldado Gannon Ken Van Dyke, parte das forças especiais dos Estados Unidos envolvidas na operação militar que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro, está sendo acusado de apostar na remoção do líder antes que a informação se tornasse pública, informou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O militar chegou a ser preso, mas foi solto ao pagar fiança.

Dyke teria feito apostas na Polymarket, uma plataforma baseada em criptomoedas, com base em informações confidenciais da operação na Venezuala, e teria ganhado mais de U$ 400 mil (R$ 1,9 milhão, na cotação atual).

Isso é claramente uso de informação privilegiada e é ilegal segundo a lei federal”, disseram autoridades do Departamento de Justiça, em comunicado divulgado na quinta-feira, 23 de abril.

O soldado foi acusado de uso ilegal de informações governamentais confidenciais para ganho pessoal, roubo de informações governamentais não públicas, fraude em commodities, fraude eletrônica e realização de transação monetária ilegal, de acordo com a acusação tornada pública. 

Poucos dias após a operação, em janeiro, a empresa de análise de blockchain Lookonchain identificou que três carteiras digitais obtiveram um lucro combinado de US$ 630.484 (cerca de R$ 3,3 milhões) na Polymarket, a partir de apostas sobre a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos.

As três carteiras digitais foram criadas e financiadas dias antes da operação, não possuíam histórico prévio de trading e participaram exclusivamente de contratos relacionados ao mandatário venezuelano.

Ganhos pessoais

Em comunicado publicado nas redes sociais na quinta-feira, a Polymarket publicou: “Quando identificamos um usuário negociando com base em informações governamentais confidenciais, encaminhamos o caso ao DOJ e cooperamos com a investigação.” A empresa acrescentou: “O uso de informação privilegiada não tem lugar na Polymarket. A prisão de hoje prova que o sistema funciona.”

Já o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou que "o amplo acesso aos mercados de previsão é um fenômeno relativamente novo, mas as leis federais que protegem informações de segurança nacional se aplicam integralmente.”

“Nossos homens e mulheres em serviço são confiados com informações sigilosas para cumprir suas missões da forma mais segura e eficaz possível, e são proibidos de usar essas informações altamente sensíveis para ganho financeiro pessoal”, completou. 

O mercado de previsão está sob escrutínio público em diversos países, e no Brasil 27 plataformas de mercado preditivo que foram bloqueadas por agirem em desconformidade com a regulação das bets.

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