A Polymarket, principal mercado de previsão dos Estados Unidos, veiculou um anúncio em português nas redes sociais dizendo que os “sportsbooks estão morto [sic]”, com erro de concordância na frase.
“Sportsbooks” é um termo usado para se referir a apostas esportivas, sendo que o anúncio impulsionado pela Polymarket traz ainda uma comparação de ganhos com a Betano e a bet365, plataformas tradicionais do mercado de apostas, no intuito de mostrar o mercado de previsão como mais lucrativo para o usuário. Apesar do texto da arte estar em português, a legenda da publicidade foi escrita em inglês.
O Yogonet consultou a biblioteca de anúncios da Meta e verificou que a veiculação da publicidade começou em 3 de abril. A propaganda foi impulsionada para o mundo todo, exceto os Países Baixos, onde a Polymarket foi banida. Lá, o órgão regulador considerou que o site estaria oferecendo apostas ilegais, já que não tem licença para atuar no mercado holandês.
Publicidade da Polymarket na biblioteca de anúncios da MetaNos Estados Unidos, plataformas como a Polymarket também são alvos de polêmicas e críticas por ficarem na fronteira entre apostas (gambling) e derivativos financeiros. Isso gera um choque regulatório em um país no qual as bets são reguladas estado por estado e os mercados de previsão pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), entidade responsável pelo mercado financeiro.
Há quem defenda que os mercados de previsão deveriam seguir as mesmas regras e exigências das casas de apostas nos Estados Unidos. Outra crítica enfrentada é o risco trazido pela atividade, já que decisões políticas e econômicas poderiam ser vazadas ou influenciadas por ganhos nos mercados de previsão — isso porque os mercados de previsão também permitem apostas não apenas em esportes, mas também sobre política, eleições, guerras, diplomacia internacional e economia.
A discussão, inclusive, já chegou ao Brasil, onde não existe uma regulamentação específica para os mercados de previsão. De acordo com a Folha de S. Paulo, em uma reunião com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, operadores regulamentados de apostas online pediram o bloqueio da Polymarket e da Kalshi (que também atua como mercado de previsão) no território brasileiro.
A Fazenda confirmou três reuniões, mas alegou não ter recebido ofício formal solicitando o bloqueio das plataformas, diz a Folha de S. Paulo.
Nos mercados de previsão, participantes compram e vendem "contratos" que representam a probabilidade de eventos acontecerem. O preço de cada contrato reflete a probabilidade coletiva calculada por todos os participantes. Eles precisam escolher entre opções de “sim” ou “não”.
Imagem: reprodução/PolymarketAlguns mercados chamam a atenção pela excentricidade. Em um deles, por exemplo, é possível palpitar se os Estados Unidos confirmarão a existência de alienígenas até 31 de dezembro. Segundo a cotação da plataforma no momento em que o artigo foi escrito, a possibilidade disso acontecer seria de 18%.
A Polymarket tem ainda um mercado disponível para a volta de Jesus Cristo. “Esse mercado será considerado ‘sim’ se a Segunda Vinda de Jesus Cristo ocorrer até 31 de dezembro de 2026, às 23h59 (horário da costa leste dos EUA). Caso contrário, o mercado será considerado ‘não’. A fonte de resolução será um consenso de fontes confiáveis”, diz a plataforma. A porcentagem do retorno acontecer, segundo a cotação da Polymarket, é de apenas 4%.
As celebridades também são lembradas no mercado de previsões. É possível palpitar, por exemplo, se a atriz Zendaya anunciará que está grávida até 30 de junho e se o ator Timothée Chalamet e a influenciadora Kylie Jenner ficarão noivos em 2026.