ENTREVISTA COM O EXECUTIVO DA SPORTRADAR

Fernando Mora: "Proposta da Playradar é entregar jogos híbridos entre sportsbook e cassino"

17-04-2026
Tempo de leitura 3:51 min

A Sportradar foi uma das empresas presentes no BiS SiGMA South America 2026, realizado no começo de abril, em São Paulo (SP). O evento teve um significado especial para a companhia: ela exibiu, pela primeira vez na América Latina, a Playradar, sua marca de iGaming lançada oficialmente há menos de um mês.

Em entrevista exclusiva ao Yogonet durante o BiS SiGMA, Fernando Mora, executivo de desenvolvimento de negócios de iGaming da Sportradar, contou o que o mercado pode esperar dos jogos da Playradar.

Segundo ele, a marca combinará dados esportivos históricos, transmissões audiovisuais e jogos de cassino para criar produtos híbridos exclusivos. "Acreditamos muito na qualidade do produto, e em breve, teremos grandes operadores trazendo os nossos jogos para o público", comentou.

Você pode contar um pouco sobre a decisão de lançar a Playradar? Foi uma ideia recente ou algo mais antigo dentro da Sportradar?

Diria que é um movimento natural da Sportradar como a maior provedora de ferramentas e produtos de sportsbook.

A gente começou essa vertical no início do ano passado, desenvolvendo jogos para o mercado. Começamos pelo Brasil e hoje já temos mais de 60 jogos certificados no país. 

Mas percebemos, principalmente em eventos e conversas com o mercado, que sempre que se falava em Sportradar, as pessoas automaticamente associavam a apostas esportivas.

Entendemos, então, que fazia sentido criar uma marca própria de cassino, a Playradar. Ela foi lançada há poucas semanas e utiliza a mesma estrutura de cassino que a Sportradar iniciou no ano passado, mas agora com uma nova marca e uma nova proposta: entregar jogos híbridos de sportsbook e cassino.

Esses jogos combinam mecânicas de cassino com temática esportiva. A ideia vem do fato de termos acesso a diversos conteúdos históricos de federações parcerias, como NBA, ATP, Bundesliga e PGA.

Por exemplo, teremos um jogo crash com conteúdo da ATP. O jogador faz o cashout durante um rally de tênis. Ele precisa prever o momento em que o rally entre os tenistas termina.

A ideia é criar uma ponte entre os públicos: trazer o jogador de sportsbook para o cassino e o jogador de cassino para o sportsbook.

Também temos uma solução chamada 24/7 Experience, que integra tudo isso. O usuário pode assistir a uma transmissão ao vivo — como jogos da Libertadores ou Sul-Americana —, apostar nas partidas e, ao mesmo tempo, jogar cassino na outra metade da tela. Será possível jogar uma roleta, um blackjack, qualquer outra opção que a gente tenha.

No lançamento, foi divulgado que o foco da Playradar são os mercados regulados. O Brasil é um deles, certo? Há outros países?

Estamos conversando com todo o mercado. Na América Latina, nosso foco é Brasil, Argentina, Peru, Colômbia e México.

O Brasil foi nosso mercado inicial, e agora estamos expandindo para toda a América Latina. Isso não impede conversas com outros países, mas temos um compromisso claro com mercados regulados, com a integridade dos jogos e do setor.

Nos jogos, existe muita diferença de preferência entre os países da América Latina? Ou a demanda é mais uniforme?

Essa é uma pergunta simples e complexa ao mesmo tempo. Há jogos que são sucesso no mundo todo, outros têm um desempenho bom em um só país. O grande desafio dos provedores é encontrar o próximo grande sucesso. No Brasil, por exemplo, todos buscam o “próximo Tigrinho”. 

Isso envolve estratégia de marketing e de divulgação dos jogos, mas é lógico que uma boa mecânica também é necessária para trazer o jogador. No nosso caso, estamos com esses jogos híbridos entre esportes e cassino, que ainda não são comuns no mercado. Vamos testar a aceitação do público e, conforme eles forem desempenhando, iremos desenvolver jogos parecidos.

Falando do mercado de apostas online em geral, dizia-se muito que a regulamentação era necessária para trazer segurança jurídica e garantir a atração de investimentos. Em 2026, segundo ano com o setor regulado, dá para dizer que as expectativas foram atendidas ou há um longo caminho a ser percorrido, a evoluir?

Como todo mercado novo, há muito a evoluir. Existe uma grande disputa contra o mercado ilegal, que ainda tem presença significativa no Brasil. Acho que agora estamos em um momento de consolidação. 

O Brasil é um mercado enorme, tanto em tamanho quanto em número de operadores, com mais de 80 licenças. Olhando para o futuro, a tendência é termos menos marcas, mas mais consolidadas, resultando em um mercado, talvez, mais saudável. 

Sobre o combate ao mercado ilegal, você acompanhou a consulta pública da SPA sobre regulamentação de provedores? Acredita que isso pode ajudar a enfrentar os sites clandestinos de apostas?

Sim, acompanhamos e somos totalmente favoráveis. A Sportradar sempre apoia a regulamentação e a integridade do setor.

A regulamentação dos provedores ajuda porque hoje algumas empresas atuam também com operadores não regulados. Nós, pelo contrário, trabalhamos apenas com mercados regulados.

Quando a regulamentação [dos provedores] passa a ser obrigatória, todos precisam seguir essa regra. Isso ajuda porque os jogadores passam a jogar jogos de provedores 100% regulados e, se houver algum problema com o jogo, a SPA sabe exatamente quem é o operador e o provedor, pois todos têm registro no Brasil. Isso facilita a fiscalização e a resolução de problemas.

Se o provedor não tem representação no Brasil, talvez não seja possível entrar em contato com ele. 

Caso queira acrescentar algo que não foi perguntado, fique à vontade.

Queria dizer que estamos muito felizes com o lançamento da Playradar. Em outubro do ano passado, trouxemos o Edo Haitin, um executivo que foi CEO da Playtech Live por nove anos. Ele está estruturando essa nova vertical, e vamos começar a entregar jogos ao mercado neste segundo trimestre.

Acreditamos muito na qualidade do produto, e em breve, teremos grandes operadores trazendo os nossos jogos para o público.

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