O diretor de Relações Institucionais e Produtos do Grupo Esportes Gaming Brasil, Hugo Baungartner, defendeu que o combate ao endividamento no setor de apostas deve passar por duas frentes principais: educação e enfrentamento ao mercado ilegal. A declaração foi feita durante o encerramento do BiS SiGMA South America 2026.
Em entrevista ao Poder360, o executivo destacou que o debate sobre apostas no Brasil ainda é conduzido com base em percepções incompletas, o que impacta tanto a opinião pública quanto a formulação de políticas para o setor. "O melhor antídoto contra o endividamento é a educação e o combate ao mercado ilegal, que opera sem qualquer proteção ao usuário", afirmou.
Segundo Baungartner, a proteção do consumidor começa pela compreensão do funcionamento do mercado de apostas, incluindo a conscientização dos usuários sobre riscos, definição de limites e a importância de utilizar plataformas autorizadas.
Ele também ressaltou a necessidade de ampliar o entendimento por parte de agentes públicos e da sociedade sobre as diferenças entre o ambiente regulado e o clandestino. "Passa por educação do público, dos políticos e da opinião pública em geral para entender como o setor funciona", completou.
Do ponto de vista operacional, o executivo destacou que o ambiente regulado conta com mecanismos de proteção inexistentes no mercado ilegal, como o KYC (Know Your Customer), que permite a identificação de usuários, restrição de menores e maior rastreabilidade das operações.
No combate às plataformas clandestinas, Baungartner apontou o Pix como ferramenta relevante, especialmente pela possibilidade de rastrear transações financeiras. Segundo ele, a atuação contra o mercado ilegal deve focar diretamente nos fluxos financeiros e canais de aquisição que sustentam essas operações, fortalecendo a segurança do ecossistema regulado.
O executivo também defendeu o aprimoramento da chamada “engrenagem B2B” do setor, com maior integração entre operadores, parceiros, sistema financeiro e órgãos reguladores.
A proposta envolve padronização de processos, respostas mais ágeis e cooperação institucional, com o objetivo de reduzir brechas exploradas por operadores ilegais e aumentar a previsibilidade do mercado.
A participação do grupo no evento também foi marcada pelo lançamento de uma plataforma educacional voltada à prevenção da manipulação de resultados esportivos.
Desenvolvida em parceria com a Sportradar, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Ministério do Esporte, a iniciativa amplia ações já realizadas junto a clubes patrocinados, como Corinthians, Ceará, Náutico e Ferroviária.
A ferramenta, estruturada como um programa de treinamento online, poderá ser utilizada por atletas e clubes de todo o país, com foco em capacitação, conscientização e fortalecimento da integridade esportiva. A proposta reforça o papel da educação como elemento central na prevenção de irregularidades no esporte.