O BTG Pactual deu início às operações do BTG Trends, plataforma que atua como um mercado de previsão, com o usuário operando apenas questões ligadas a ativos financeiros, como juros e bolsa. Posteriormente, devem ser incorporados câmbio, ações específicas e commodities, como soja e milho.
Por enquanto, não há menções a mercados de esportes, política ou entretenimento, ao contrário do que ocorre na Kalshi e no Polymarket, mercados de previsão famosos nos Estados Unidos.
Como explica a revista Exame (pertencente ao mesmo grupo que controla o BTG Pactual), a interface permite que o investidor lide com perguntas diretas como “qual será a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de abril" ou "se o Ibovespa encerrará o ano nos 200 mil pontos".
A ferramenta foi integrada na quinta-feira, 26 de março, a canais já utilizados pelos clientes. O BTG Trends será, inicialmente, disponibilizado somente a investidores com perfil sofisticado e assessores de investimentos, diz a publicação.
"A plataforma reforça nossa estratégia de inovação com responsabilidade ao incorporar leituras probabilísticas ao ecossistema do Banco, em operação transparente e aderente à regulação. O Trends amplia a grade de produtos disponíveis ao investidor e fortalece o nosso compromisso com a excelência em soluções de investimento", afirma Jerson Zanlorenzi, head da mesa de ações e derivativos do BTG Pactual, segundo a Exame.
O lançamento ocorre em um momento no qual os mercados de previsão ganham força — principalmente nos Estados Unidos — e acendem discussões sobre como devem ser regulados, debate que já chegou ao Brasil.
No dia 9 de março, a XP Investimentos anunciou uma parceria com a Kalshi. A plataforma, inclusive, tem a brasileira Luana Lopes Lara como cofundadora e COO.
“Por meio da parceria, clientes da marca Clear que possuem conta de investimento internacional na XP International passam a ter acesso aos prediction markets no ambiente offshore da XP, incorporando ao portfólio global um instrumento inovador, complementar e alinhado às melhores práticas regulatórias internacionais”, diz uma notícia no site Infomoney.
No mesmo dia em que a XP anunciou a parceria, a SPA emitiu uma nota oficial sobre o tema. A pasta reforçou que não há mercados de previsão formalmente autorizados pela secretaria e afirma analisar o tema internamente.
Confira abaixo a nota oficial da SPA divulgada pelo BNLData:
“A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda acompanha o tema de forma contínua e técnica, inclusive no cenário internacional. O mercado de previsão integra agenda de análise interna da Secretaria, com estudos preliminares em curso. Cabe citar que, no momento, não há empresas brasileiras formalmente autorizadas pela SPA a atuar nesse segmento.
A Secretaria recebeu nota técnica de empresas do setor na qual são apresentadas avaliações sobre os chamados mercados preditivos e trata do tema com cautela, responsabilidade institucional e foco na prevenção de lacunas regulatórias, buscando assegurar coerência com o arcabouço legal vigente.
Quaisquer outras avaliações regulatórias sobre o assunto dependem da conclusão das análises técnicas em curso e serão conduzidas em articulação com os órgãos competentes, entre eles a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no intuito de análise acerca de eventuais interfaces regulatórias.”