Os prêmios de loterias não resgatados no Brasil ultrapassaram R$ 4 bilhões em uma década, segundo dados da Caixa Econômica Federal. Entre 2016 e 2025, apostadores deixaram de retirar cerca de R$ 4,01 bilhões, valores que foram integralmente destinados ao Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), conforme determina a legislação vigente.
Conforme publicado no BNLData, a média anual de prêmios esquecidos chegou a R$ 334,4 milhões, com picos relevantes ao longo do período. O destaque foi 2021, quando R$ 587 milhões não foram resgatados, o maior valor da série histórica. Mais recentemente, os números seguem elevados: R$ 485,7 milhões em 2023, R$ 431,7 milhões em 2024 e R$ 474,7 milhões em 2025, reforçando a tendência de alto volume de premiações não reclamadas.
A destinação desses recursos está prevista na Lei 13.756, que estabelece o repasse automático ao FIES após o prazo legal. Atualmente, o apostador tem 90 dias para resgatar o prêmio. Após esse período, o valor prescreve e é transferido ao fundo estudantil.
De acordo com a Caixa, os prêmios não retirados podem representar até 5% do total distribuído pelas loterias, dependendo do ano. O percentual varia conforme o número de apostas vencedoras não resgatadas e a ocorrência de grandes prêmios esquecidos pelos jogadores.
Responsável pela gestão das loterias desde 1962, a Caixa repassa parte da arrecadação para programas sociais e fundos públicos. Com isso, o FIES — criado para financiar o ensino superior — acaba sendo um dos principais beneficiários das apostas não resgatadas, ampliando sua capacidade de concessão de crédito estudantil.