O Riocentro abriu suas portas nesta quarta-feira, 4 de março, para o primeiro dia de conferências e de exibição comercial do SBC Summit Rio 2026. A edição acontece em um momento estratégico para o mercado regulado de apostas online do Brasil, que está em seu segundo ano de operação.
O dia foi marcado por uma agenda intensa de painéis, debates e encontros de networking. Logo pela manhã, o palco principal do evento recebeu Chris Kypriotis, ex-CEO da Nike no Brasil, que conduziu a palestra de abertura sobre cultura de alta performance nos negócios.

Um dos pontos altos da programação de quarta-feira foi o painel que reuniu figuras centrais na regulação do setor no Brasil: Daniele Correa Cardoso, secretária substituta de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, e Giovanni Rocco Neto, secretário de Apostas Esportivas e Desenvolvimento Econômico do Esporte.
Eles trouxeram um panorama do trabalho conduzido pelo governo na regulamentação das bets — enquanto a pasta vinculada à Fazenda concentra-se na estrutura normativa e na supervisão do mercado, a secretaria ligada ao Esporte tem atuação mais direcionada à integridade e à proteção das competições.

“É muito importante colocar a gravidade que foi todo esse período sem regulamentação no Brasil. Tudo o que a gente enfrenta hoje de problemas no setor é oriundo da falta de regulamentação desse período muito longo. O que o nosso governo fez em um ano, o governo anterior teve quatro para fazer, e não fez. A gente teve que regular esse mercado, do tamanho que ele é hoje, debaixo de pancada”, disse Rocco Neto.
Em painel com executivos da indústria, o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, afirmou que o mercado regulado enfrenta insegurança jurídica por conta das sucessivas propostas de aumento de impostos sobre as bets.
“Quando o operador assumiu o risco de vir para o Brasil, constituir uma empresa regular, pagar os R$ 30 milhões [da licença federal para operar] e deixar R$ 5 milhões de garantia, a conta dele foi em cima do imposto lá atrás, já estipulado. Poucos meses depois que a atividade passou a ser regulada já vieram propostas de aumento, propostas que a gente vem combatendo dia após dia”, afirmou Lemos Jorge.

Para Amilton Noble, CEO da Hebara e executivo com mais de 30 anos na indústria de jogos, o início do mercado regulado de apostas online tem sido marcado por desafios. Ele, no entanto, enxerga também acertos.
"Nós temos muitos avanços, mas cometemos alguns equívocos e esses equívocos, obviamente, podem ser reparados. Quando a gente ouve aí fora, a regulação brasileira já virou referência para alguns países. Então, a gente não pode destacar só os efeitos negativos. Nós temos mais de 80 empresas reguladas, cerca de 200 sites regulados. Mas, na contramão, nós temos mais de 27 mil sites [ilegais] tirados do ar. Isso mostra que, apesar da eficiência de tirar do ar, a gente não conseguiu inibir a presença desses operadores não regulados no mercado brasileiro", disse Noble, durante um dos painés da programação.

Mais uma vez, os cassinos integrados a resorts estiveram presentes na programação com um painel dedicado ao tema. O assunto segue mexendo com a expectativa do setor mesmo com o projeto de legalização parado no Senado, sem previsão de votação no plenário.
No evento, os participantes do painel ressaltaram o potencial dos jogos físicos no fortalecimento do turismo, apontando que eles ajudam a reter visitantes e a movimentar a cadeia econômica.

“Hoje, por exemplo, em regiões como Foz do Iguaçu, o melhor lado do parque é o lado brasileiro, os melhores hotéis estão no lado brasileiro. Mas o que acontece às 18h, 19h? Todo mundo vai para a Argentina ou Paraguai para jogar. Imagina se a gente tivesse um cassino integrado a resort [no lado brasileiro]”, indagou Bruno Omori, presidente do IDT-Cema e diretor de jogos e hospitalidade da Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (FHORESP).
Para além das conferências e dos stands, o SBC Summit Rio também foi marcado pela visita de Ronaldinho Gaúcho. A presença do "Bruxo" gerou grande repercussão entre os participantes do evento, que se espremeram nos corredores do Riocentro para ver o craque e conseguir uma foto, mesmo que a distância e separado por um vidro.
A agenda do SBC Summit Rio 2026 segue nesta quinta-feira, 5 de março, com novos painéis que acontecem simultaneamente nos palcos de liderança, pagamentos e marketing, além de oportunidades de networking e encontros na área de exposição.
Um dos destaques da programação de quinta é o painel das 11h com a presença de executivos de bets. Guilherme Figueiredo (Betano), Antonio Forjaz (Entain/Sportingbet), Almir Ribeiro (BetMGM), Marcos Sabiá (Galerabet) e Cássio Filter (KTO) discutirão o desafio de criar marcas com conexão cultural e impacto positivo na sociedade. A mediação será de Magnho José (BNLData/IJL).

O Pix, comumente apontado como um dos fatores que contribuem para o sucesso do mercado de apostas online no Brasil, também tem espaço garantido na programação do segundo dia.
Às 12h, Rafael Rebelo (H2Bet), Samer Atassi (Jumio), Barbara Teles (AMIG) e Thomas Carvalhaes (consultor de iGaming e ex-country manager da Stake no Brasil) irão explicar o papel dos pagamentos instantâneos para melhorar a experiência do usuário, lidar com desafios de compliance e abrir novas oportunidades para fidelização de jogadores.

Outros temas da programação de conferências desta quinta-feira incluem patrocínios esportivos, terminais de videoloteria (VLTs), retenção no iGaming, migração das loterias para o digital, combate à lavagem de dinheiro, entre outros. A relação completa está disponível neste link.
A festa de encerramento do SBC Summit Rio 2026, marcada para 21h, será com o DJ e produtor brasileiro Öwnboss, um dos principais nomes da música eletrônica nacional no cenário internacional. O line-up também contará com o britânico Marc Vedo, que promete abrir a noite com sets de house e tech house.