Durante o 24º Encontro da Hotelaria, realizado na última sexta-feira, 27 de junho, em Olímpia (SP), o setor hoteleiro voltou a defender os benefícios da legalização dos cassinos no Brasil. O evento contou com a participação de Magnho José, presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IJL) e editor do portal BNLData, que apresentou dados sobre o impacto econômico da regulamentação dos jogos de azar.
A legalização, segundo o especialista, poderá multiplicar empregos no setor de hospitalidade. Enquanto hotéis convencionais empregam entre 0,6 e 1 funcionário por quarto, os hotéis-cassino podem chegar a 3,2 funcionários por unidade, devido às 85 novas funções envolvidas nesse tipo de empreendimento.
Magnho José
Nos Estados Unidos, onde o setor é regulamentado, a indústria de jogos emprega 1,7 milhão de pessoas, com remuneração anual superior a US$ 74 bilhões, conforme os dados apresentados por Magnho. “O Brasil deixa de arrecadar bilhões em impostos e perde a oportunidade de gerar milhares de empregos”, declarou, segundo matéria da Revista Hotéis.
O debate em Olímpia ocorre após a Câmara Municipal aprovar um projeto de lei que autoriza a concessão de serviços relacionados à exploração de jogos turísticos. A cidade, que recebe 5 milhões de turistas por ano e conta com 34 mil leitos, aposta na aprovação do projeto de lei 2.234/22 (que legaliza cassinos, bingos e jogo do bicho) para dobrar o número de visitantes até 2027.
O projeto municipal, de autoria do prefeito Geninho Zuliani (União Brasil), prevê licitação por diálogo competitivo com a iniciativa privada, mas só será implementado se o PL 2.234/2022 for aprovado no Senado e sancionado pelo presidente Lula.
O PL em tramitação propõe a instalação de até três cassinos em São Paulo, dois no Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Pará e Amazonas, além de um nos demais estados e no Distrito Federal. Também estão previstos cassinos fluviais e turísticos em áreas localizadas a até 100 km dos resorts.
“O brasileiro não está impedido de jogar. Quem está impedido é o Brasil de arrecadar impostos com essa atividade”, disse Magnho, lembrando que cerca de 200 mil brasileiros viajam anualmente ao exterior para apostar.
Hoje, 75,52% dos países-membros da ONU já legalizaram os jogos de azar. O Brasil segue entre os 24,48% que ainda não regulamentaram a atividade, lembrou o especialista.
Durante o evento, Magnho também abordou as resistências morais e políticas à legalização, comparando a situação à Lei Seca nos Estados Unidos, que proibiu a produção e venda de bebidas alcoólicas entre 1920 e 1933. “Sempre haverá um empreendedor disposto a oferecer o que a sociedade deseja, principalmente sem regulamentação”, afirmou.
“No caso dos jogos de azar, só existem duas opções: legal ou ilegal. A opção ‘não jogar’ é uma ilusão”, concluiu o presidente do IJL, segundo a Revista Hotéis.
A participação de representantes do setor de jogos em eventos voltados à hotelaria é uma das estratégias para reduzir o preconceito e ampliar o apoio à regulamentação dos jogos de azar no país.