"POPULAÇÃO NÃO AGUENTA MAIS ISSO"

CPI das Bets caminha para terminar em “pizza”, critica Eduardo Girão

Senador Eduardo Girão (Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
09-05-2025
Tempo de leitura 2:31 min

Crítico ferrenho do setor de jogos, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou estar preocupado com os rumos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, formada no Senado para investigar o impacto das apostas online entre a população e possíveis ligações do segmento com o crime organizado.

A gente está caminhando para outra CPI de pizza. A população brasileira não aguenta mais isso. Para você ter uma ideia, nós temos aí cerca de 400 requerimentos, e a metade foi deliberada ‒ conversamos com senadores aqui que estão chateados também ‒ , de quebra de sigilo, uma série de coisas que não estão sendo colocadas às claras, à transparência. E isso mina o trabalho de uma Comissão Parlamentar de Inquérito”, criticou Girão, durante a reunião da CPI da quinta-feira, 8 de maio.

Na visão do senador, a comissão “começou errada” e “há muitos assuntos sendo evitados”. Ele afirmou que estava entrando com um requerimento para solicitar o depoimento de Silvio Assis, apontado como um lobista que teria conexões com membros da CPI, de acordo com a Veja.

Assis estaria envolvido com suspeitas de extorsão e pedido de propina. Segundo as denúncias, o esquema ‒ não comprovado ‒ consistiria em exigir dinheiro de empresários a fim de evitar o "constrangimento" de ser convocado para depor na CPI. O lobista teria solicitado R$ 40 milhões a uma pessoa que foi chamada para prestar depoimento logo após se negar a pagar o valor.

“Estou entrando com quatro requerimentos. Dois requerimentos são sobre um suposto crime de extorsão que foi denunciado aqui e saiu na mídia. Então, estou solicitando aqui à Polícia Federal o compartilhamento de informações sobre esse suposto crime de extorsão ‒  investigação que está sendo feita; próprio senador Alessandro Vieira acionou a Polícia Federal, a PGR ‒ que envolveria o Sr. Silvio Assis. E também pedindo a convocação dele, porque eu considero que isso vai ser esclarecedor, tendo em vista a credibilidade do Congresso Nacional, para que esta CPI possa ter um desfecho diferente da CPI que nós tivemos de apostas esportivas, que não chegou praticamente a uma conclusão, não chegou a uma definição”, alegou Girão.

Soraya Thronicke (imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Relatora contesta e diz que CPI não acabará em pizza

Relatora da CPI das Bets, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) defendeu o trabalho feito na comissão.

“No que depender de nós aqui, esta CPI não vai terminar em pizza. Ouvindo ou não essas pessoas, nós já temos muitos documentos, eu tenho todos os consultores do Senado Federal, Polícia Federal à nossa disposição. Muitas coisas estranhas estão acontecendo no tramitar desta CPI”, argumentou Thronicke.

A parlamentar citou exemplos de outras CPIs e afirmou que, em muitos casos, a comissão faz a sua parte ao produzir o relatório, mas o trabalho “termina em pizza em outro órgão” para o qual as denúncias são encaminhadas. Ela mencionou a Procuradoria-Geral da República durante o mandato de Augusto Aras (2019 a 2023), que arquivou acusações da CPI da Covid.

“Peço que o senhor [Eduardo Girão] se junte a nós, fortaleça esta CPI, porque, se o senhor é membro e a CPI está fraca, o senhor também é responsável por isso. Todos os membros desta CPI que não comparecem, mas chegam aqui também e não estão acompanhando, também são responsáveis pela forma como está sendo dirigida”, contestou Thronicke. 

As falas de Girão e Thronicke podem ser vistas no vídeo acima, a partir dos 4 minutos e 50 segundos. No final de abril, a CPI das Bets foi prorrogada até 14 de junho.

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