As casas de apostas devem investir cerca de R$ 550 milhões em patrocínios esportivos na série A do Brasileirão neste ano. Atualmente, de todos os times da primeira divisão, apenas Vasco e Cuiabá não têm contratos com empresas do setor, informa o jornal O Globo.
O fenômeno, como explica a reportagem, tem levado a uma valorização das camisas dos clubes, que passam a negociar valores com os patrocinadores. O Flamengo, por exemplo, lidera como o time com maior arrecadação em patrocínios: R$ 225 milhões por ano, se somadas todas as empresas (de diferentes setores, não apenas de apostas) e os contratos de material esportivo.
No entanto, considerando os patrocínios de empresas de apostas, o Corinthians segue na liderança com um contrato de R$ 120 milhões por temporada com a VaideBet, em um acordo de três anos, que prevê também R$ 10 milhões em luvas.
A reportagem de O Globo ouviu especialistas no assunto para entender o cenário dos patrocínios e o que esperar do futuro. Para Ivan Murtino, professor de marketing esportivo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), essa concorrência é ruim para as próprias empresas.
“As casas de aposta colocaram nos clubes uma concorrência que acaba sendo ruim para as próprias casas de aposta. Elas também sabem que virou um jogo de rouba monte, ou seja, que se não fizer um cheque grande, amanhã pode vir outra casa e tirar dele. O beneficiado no momento é quem está vendendo o espaço. Antigamente era difícil dobrar o valor, agora é uma coisa sem precedente”, afirma Murtino.
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Já Darwin Henrique da Silva Filho, CEO do Esportes da Sorte, acredita que os valores dos contratos irão ser reduzidos quando começar o processo de obtenção das outorgas perante o Governo Federal.
Darwin Henrique da Silva Filho
“Esses valores tendem a baixar com a regulamentação e a consequente diminuição da quantidade de casas dispostas a investir dada uma existência de pré-requisitos mais robustos para obtenção de licenças nacionais. A maturidade do mercado deverá fazer potenciais investidores entenderem mais acerca do real valor das propriedades. Tudo isso culminará em uma acomodação de preços passada essa euforia inicial”, diz o executivo.
Pedro Simões, advogado do escritório Veirano Advogados, apresenta um ponto de vista semelhante sobre o impacto da regulamentação nos patrocínios de futebol.
“A CBF já divulgou a norma em que só os operadores autorizados pelo governo poderão ser patrocinadores de clubes do Brasileirão. Isso já começa a modelar o mercado e a definir quem vai ficar. Vai formar um clube, com certeza”, analisa SImões, em entrevista a O Globo.