Em artigo publicado no site Games Magazine Brasil, a chefe jurídica e de conformidade da Sportingtech, Simona Camilleri, analisou o cenário do mercado brasileiro pós-regulamentação.
Em sua visão, “até agora, os reguladores parecem estar acertando o tom certo em termos de jogo responsável, gerenciamento de sistemas de pagamento para a indústria regulamentada e aumento das capacidades de proteção ao jogador”. Camilleri afirma que ainda há muitos pontos a serem esclarecidos, mas que as empresas já podem ir se preparando a fim de se adequar às novas regras.
“Para sair na frente, operadores e fornecedores podem se familiarizar com o que já está claro no projeto de lei e tomar medidas para garantir que estejam amplamente em conformidade. Por exemplo, está claro que o reconhecimento facial e a verificação dos bancos de dados de jogadores existentes serão uma das principais questões, assim como o fortalecimento das práticas de jogo responsável e o compromisso dos operadores com a prevenção da manipulação de resultados esportivos”, analisa.
Uma das incertezas, na visão da chefe jurídica da Sportingtech, está na cobrança do tributo de 15% em cima dos ganhos do apostador. Na sua opinião, ainda não está claro como isso irá funcionar: quais relatórios serão exigidos e como o desconto deverá ser aplicado. Outro ponto de atenção é a conformidade com a proteção de dados, já que as plataformas estarão processando informações sensíveis dos clientes (como biometria e identificação facial)
Camilleri descreve também o que identifica como sendo “o toque brasileiro”, com os apostadores tendo gostos específicos em comparação com o público de outros mercados. Para ela, é um fator que diferencia o sucesso do fracasso. Diante disso, acredita que as empresas precisarão ter uma abordagem “sutil e localizada” para conquistar clientes.
“Os operadores devem passar os próximos meses garantindo que conheçam o jogador brasileiro, ganhem visibilidade de marca e usem meios locais para fazer isso, como o surgimento de influenciadores sociais, o especial talento brasileiro para viver e desfrutar da vida, e ativação de marca. Isso, é claro, evoluirá à medida que a legislação for finalizada”, finaliza.