A Meta, empresa de Mark Zuckerberg, estaria desenvolvendo internamente um aplicativo de mercados de previsão para smartphones, conhecido pelo codinome "Arena", em uma tentativa de aproveitar o rápido crescimento de plataformas como Polymarket e Kalshi.
Segundo reportagem do The New York Times, o Arena está sendo criado por uma pequena equipe dentro da Meta e deverá operar de forma independente das redes sociais da companhia, incluindo Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger.
Inicialmente, o aplicativo utilizaria um sistema de pontos semelhante ao de videogames, em vez de apostas com dinheiro real. No entanto, de acordo com dois funcionários que têm conhecimento do projeto, a empresa não descarta a possibilidade de introduzir apostas em dinheiro no futuro.
As fontes afirmaram que o projeto ainda é considerado experimental, mas recebeu status de prioridade dentro da companhia, que busca novas formas de crescimento e engajamento de usuários.
A iniciativa surge em um momento em que os mercados de previsão se consolidam como um dos segmentos de crescimento mais acelerado no universo das apostas e negociações online. Em 2025, Kalshi e Polymarket movimentaram juntas cerca de 50 bilhões de dólares (R$ 260,45 bilhões) em volume de negociações. Apenas neste ano, o total já ultrapassou 130 bilhões de dólares (R$ 677,2 bilhões).
A Meta informou ter alcançado 3,56 bilhões de usuários ativos diários em seu portfólio de aplicativos em abril e pretende utilizar essa enorme base para impulsionar a adoção do Arena.
Meta copied slot machines to addict kids to Instagram. Now Zuckerberg is turning his company into a prediction market. Meta’s business model is profiting from addiction—kids, gamblers, & more. Stop it through KOSA & my prediction markets bills. https://t.co/e9tG1X8Fho
— Richard Blumenthal (@SenBlumenthal) June 23, 2026
O projeto segue uma estratégia recorrente de Mark Zuckerberg: responder rapidamente às mudanças no comportamento dos usuários na internet por meio do lançamento de produtos alinhados às novas tendências digitais. Paralelamente, a empresa também testa outros aplicativos independentes, como o Meta Photos, uma plataforma de criação de mídia baseada em inteligência artificial.
Esta não seria a primeira incursão da Meta no segmento. Em 2020, durante a pandemia de COVID-19, a companhia lançou o Forecast, um aplicativo colaborativo de previsões que também utilizava um sistema baseado em pontos. O produto, porém, foi descontinuado em 2022.
A crescente popularidade dos mercados de previsão tem atraído participantes de diferentes setores, incluindo operadoras de apostas, corretoras de criptomoedas e empresas de mídia. Em abril, a corretora Bernstein estimou que o mercado poderá atingir US$ 1 trilhão em volume anual de negociações até o final desta década.
Ao mesmo tempo, o crescimento do setor vem despertando maior atenção dos reguladores. Autoridades e legisladores dos Estados Unidos têm manifestado preocupação de que esses mercados possam abrir espaço para operações com informação privilegiada e manipulação de mercado.
Em abril, promotores federais de Nova York acusaram um integrante das Forças Especiais dos Estados Unidos de utilizar informações confidenciais para realizar apostas relacionadas a uma operação secreta que tinha como alvo o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Segundo a acusação, o operador teria obtido mais de US$ 400 mil em ganhos com as apostas.
O senador norte-americano Richard Blumenthal criticou os supostos planos da Meta em uma publicação nas redes sociais. "A Meta copiou as máquinas caça-níqueis para viciar crianças no Instagram. Agora Zuckerberg está transformando sua empresa em um mercado de previsões", escreveu. O parlamentar também afirmou que o modelo de negócios da empresa "lucra com o vício".
Até o momento, a Meta não confirmou publicamente a existência do projeto. Pessoas familiarizadas com o assunto alertam que o Arena pode nunca ser lançado oficialmente.