O volume negociado nos mercados de previsão da Copa do Mundo de 2026 ultrapassou US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões, na cotação atual), somando as operações realizadas na bolsa internacional da Polymarket e na Kalshi, segundo uma análise da Bloomberg News baseada em dados da Dune Analytics e registros das empresas.
O crescimento reflete o aumento do interesse por contratos relacionados a eventos esportivos e expõe apostas de alto valor.
A movimentação transformou o torneio em uma vitrine pública de grandes ganhos e perdas. Na Polymarket, uma conta identificada pelo nome “GRIMDRIP” registrou o maior lucro conhecido da Copa até o momento, transformando US$ 6 milhões em US$ 13,6 milhões por meio de duas apostas sobre a partida entre República Tcheca e África do Sul.
Outra conta, chamada “mintblade”, dobrou uma aposta de US$ 7 milhões ao prever que o Irã não derrotaria a Nova Zelândia. Em contrapartida, um usuário perdeu quase US$ 9 milhões após apostar na vitória da Bélgica sobre o Egito.
DraftKings Predictions just had its biggest weekend ever.
— DraftKings News (@DraftKingsNews) June 15, 2026
Driven by the NBA Finals and the start of the World Cup, total customers grew over 200% compared to the prior weekend, and consumer volume increased over 100% weekend over weekend, as we continued setting new records for…
Os números representam apenas uma parte do mercado. Usuários da Polymarket podem operar múltiplas contas, e a plataforma não realiza verificação de identidade em sua bolsa internacional, o que dificulta a vinculação das posições. Além disso, investidores podem utilizar estratégias de hedge por meio de sportsbooks tradicionais ou plataformas de mercados de previsão regulamentadas nos EUA, onde a atividade individual não é pública.
A Copa do Mundo, que conta com 104 partidas, ainda está em andamento, com confrontos restantes da fase de grupos e todo o mata-mata pela frente. Junto com as Finais da NBA, o torneio ajudou a Kalshi a registrar sua primeira sequência de três dias consecutivos com mais de US$ 1 bilhão em volume diário negociado, segundo o CEO da empresa, Tarek Mansour.
Os mercados de previsão também abriram novas oportunidades para empresas de apostas em estados norte-americanos onde as apostas esportivas tradicionais permanecem proibidas, como Califórnia e Texas.
A DraftKings, que expandiu sua atuação para os mercados de previsão em 2025, informou que o último fim de semana foi o maior já registrado para seus contratos de eventos, superando até mesmo o desempenho observado durante o Super Bowl, em fevereiro. Em publicação nas redes sociais, a companhia afirmou que o número total de clientes cresceu mais de 200% em relação ao fim de semana anterior, enquanto o volume negociado avançou 100%.
DraftKings e Kalshi investiram pesadamente em campanhas de marketing em redes sociais e televisão. A DraftKings promoveu seu aplicativo esportivo como disponível em todo o território norte-americano, enquanto a Kalshi contou com a participação do meio-campista croata Luka Modrić e do argentino Lionel Messi durante a competição.
As negociações relacionadas à Copa do Mundo vão além dos resultados das partidas. Usuários também podem apostar em quem será o vencedor da Chuteira de Ouro — prêmio para o artilheiro do torneio —, mercado no qual o francês Kylian Mbappé aparece como favorito. Outro mercado popular envolve a presença do presidente dos EUA, Donald Trump, na final da Copa, com 87% dos participantes acreditando que ele comparecerá ao evento.
De acordo com registros da empresa e dados em blockchain, apenas duas das 20 apostas mais lucrativas da Polymarket nos últimos sete dias não estavam relacionadas à Copa do Mundo.
Uma conta identificada como “endlessFate” obteve lucro de US$ 5,6 milhões em uma aposta envolvendo a partida entre Arábia Saudita e Uruguai, além de ganhar outros US$ 2,7 milhões ao apostar na vitória da Colômbia sobre o Uzbequistão. O mesmo usuário também registrou uma perda de US$ 1,2 milhão ao prever um empate entre Estados Unidos e Paraguai na semana passada.
Apesar dos ganhos expressivos de alguns participantes, o lucro continua sendo exceção. Uma pesquisa conduzida por Bender e outros pesquisadores da Citizens concluiu que clientes em mercados de previsão tendem a perder dinheiro no longo prazo e apresentam desempenho inferior ao de apostadores em sportsbooks tradicionais.
“Tudo o que estamos observando até agora durante a Copa do Mundo sugere que os mercados de previsão continuam em uma trajetória de crescimento agressiva”, afirmou Chris Grove, analista da consultoria Eilers & Krejcik Gaming.
No Brasil, uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) publicada em abril impede mercados de previsão em esportes e demais eventos fora da temática econômica-financeira. O Ministério da Fazenda solicitou ainda o bloqueio dos sites da Polymarket e da Kalshi no país.