POLÍCIA CIVIL

Operação no Mato Grosso mira esquema milionário com apostas ilegais e influenciadores

Fotos: Divulgação/Polícia Civil MT
24-04-2026
Tempo de leitura 2:03 min

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã da última quinta-feira, 23 de abril, a Operação Aposta Perdida, com o objetivo de desarticular um esquema milionário envolvendo jogos de azar ilegais, lavagem de dinheiro e uso de influenciadores digitais. Ao todo, foram cumpridas 34 ordens judiciais contra um grupo criminoso formado por integrantes de uma mesma família.

Segundo a polícia, as medidas incluem mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias e redes sociais, além do sequestro de imóveis e veículos de luxo, somando cerca de R$ 10 milhões em valores bloqueados. As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, com atuação no polo de Cuiabá.

A investigação, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), identificou um esquema estruturado de captação de recursos ilícitos por meio da promoção de plataformas de apostas que não estão regulamentadas no Brasil.

Influenciadores e redes sociais no centro do esquema

De acordo com as apurações, os investigados utilizavam redes sociais para atrair usuários com promessas de ganhos fáceis e elevados, prática comum em fraudes digitais. O modelo apresentava características de pirâmide financeira, em que os ganhos dependiam da entrada de novos participantes.

A esposa e a cunhada do principal investigado tiveram papel estratégico na divulgação das plataformas ilegais, atuando como influenciadoras digitais. Elas utilizavam postagens frequentes, ostentação de resultados e links diretos para os jogos, muitas vezes por meio de contas demonstrativas que simulavam lucros, ampliando o alcance do esquema.

Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava empresas de fachada, “laranjas” e transações simuladas para ocultar a origem dos valores obtidos ilegalmente. Os recursos eram movimentados de forma fracionada e convertidos em bens de alto valor, incluindo imóveis de luxo e veículos importados, como BMW, Land Rover e Porsche.

Relatórios técnicos apontaram movimentações financeiras milionárias incompatíveis com a renda declarada, além de divergências fiscais e conexões com outros investigados e plataformas internacionais associadas a fraudes digitais.

Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi o alto padrão de vida exibido nas redes sociais, sem lastro econômico lícito. Mesmo ligados a empresas de pequeno e médio porte, os investigados adquiriram rapidamente patrimônios de alto valor, realizaram viagens frequentes e passaram a ostentar riqueza, levantando suspeitas sobre a origem dos recursos.

A Operação Aposta Perdida faz parte da Operação Pharus, inserida no planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, dentro do programa Tolerância Zero contra facções criminosas.

A ação também integra a Operação Nacional da Renorcrim, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que promove a atuação conjunta das polícias civis em todo o país para enfrentar organizações criminosas de forma integrada e estratégica.

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