37% DOS ADOLESCENTES APOSTAM AO MENOS UMA VEZ AO MÊS

Argentina: três de cada dez adultos apostaram no último ano

Imagem: Freepik
23-03-2026
Tempo de leitura 2:06 min

A Associação de Loterias, Quinielas e Cassinos Estatais da Argentina (ALEA) apresentou o “Relatório nacional sobre o jogo na Argentina 2025”, um estudo com dados e tendências-chave para organizar e enriquecer o debate público e fortalecer políticas de cuidado. 

O jogo online cresce na Argentina junto com a digitalização da vida cotidiana. Esse aumento traz novos desafios regulatórios diante da expansão de ambientes ilegais, reforçando a necessidade de consolidar um sistema de jogo legal, seguro e responsável”, afirmaram representantes da ALEA.

Entre os principais dados, o relatório revelou que três em cada dez adultos apostaram no último ano; que 86% dos que disseram apostar nesse período o fazem com frequência; que 71% dos jogadores utilizam plataformas online; e que 34% dos apostadores percebem a dependência como um risco.

Segundo a ALEA, os resultados evidenciam um crescimento sustentado do jogo online entre a população adulta na Argentina, especialmente entre os mais jovens.

O canal digital deixou de ser uma alternativa ocasional e se consolidou como o principal formato de acesso ao jogo. Esse crescimento ocorre paralelamente à massificação dos pagamentos digitais, principalmente por meio de carteiras virtuais e transferências, que permitem uma experiência mais imediata e cotidiana.

Ao mesmo tempo, aumentou a percepção de apostar “muito” ou “em excesso”, o que sugere maior consciência sobre a intensidade da prática em um cenário de expansão do jogo online.

Adolescentes e jogo ilegal

A pesquisa também apontou que 28% dos adolescentes apostaram ao menos uma vez no último ano; que 37% dos que jogam o fazem pelo menos uma vez por mês; e que seis em cada dez pais estão preocupados com a possibilidade de seus filhos apostarem.

De acordo com o relatório, uma parcela relevante dos adolescentes que apostam não identifica sua prática como ilegal, por acreditar que participa de plataformas “legais”, mesmo com a proibição do jogo para menores de idade. Nesse contexto, a ALEA alertou que a participação precoce em práticas de jogo pode comprometer processos de desenvolvimento ainda em curso na adolescência, como o autocontrole e a tomada de decisões, especialmente diante da falta de limites e mediações adequadas.

Atualmente, essa exposição ocorre em ambientes digitais onde coexistem plataformas ilegais, promoção pouco regulada nas redes sociais — especialmente por meio de influenciadores — e acesso imediato a diversos meios de pagamento digital, com poucas barreiras de entrada.

Em relação aos pais, o nível de preocupação com o acesso de adolescentes ao jogo online ilegal permanece estável em comparação com 2024. No entanto, essa preocupação não parece se traduzir em ferramentas eficazes de controle ou acompanhamento. Embora o diálogo seja a principal resposta no ambiente familiar e tenha aumentado em relação à medição anterior, o enfrentamento do problema ainda se baseia majoritariamente em estratégias informais, com pouca articulação com apoio profissional ou especializado.

Para a ALEA, o ambiente digital se consolida como a principal forma de acesso ao jogo. “Em uma vida cotidiana marcada por plataformas digitais e acesso imediato, o jogo online se firma como parte dessa transformação. O desafio é acompanhar esse processo com informação, regulação e ferramentas de cuidado adequadas à realidade digital atual”, destacou a entidade.

O relatório completo pode ser acessado neste link. 

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