A 1xBet participou do SBC Summit Rio 2026, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 3 e 5 de março, com um dos maiores estandes entre as casas de apostas, aproveitando a ocasião para destacar sua mais recente iniciativa de pesquisa.
A empresa lançou o International Player Safety Index: Latin America, um relatório produzido em parceria com a SBC Media que analisa como as medidas de jogo responsável estão sendo implementadas nos principais mercados da região e os desafios que ainda persistem.
Durante o evento, o Yogonet conversou com exclusividade com Simon Westbury, strategic advisor da 1xBet, para discutir os resultados do relatório, bem como a evolução mais ampla do mercado latino-americano.
Na conversa, Westbury destacou que a região vem migrando gradualmente de mercados majoritariamente cinzentos para ambientes de apostas cada vez mais regulamentados, além de refletir sobre a crescente importância do Brasil, o papel das tecnologias de proteção ao jogador e as lições regulatórias que mercados emergentes podem extrair da experiência global.

A 1xBet é uma empresa global que atua em diversos países. Existe algum mercado específico que hoje seja o mais importante ou prioritário para a empresa?
Não acredito que seja correto dizer que temos um país prioritário. Nossa prioridade está mais relacionada ao tipo de mercado em que entramos. Como empresa, nossa estratégia é expandir para mercados mais regulamentados.
Atualmente, temos mais de 35 licenças locais, e o mais importante para nós é nos engajarmos com a indústria e garantir que estamos na linha de frente ao entrar em jurisdições regulamentadas. Nossa estratégia de expansão se baseia em três pilares: um produto líder, marketing digital e aquisição de clientes e patrocínios — onde isso é permitido e apropriado.
Portanto, em vez de focar em um único país, avaliamos as oportunidades conforme surgem. Se a entrada em um mercado fizer sentido comercial e estiver alinhada com nossa estratégia, avançamos. Como você mencionou, a 1xBet é uma empresa global, e nosso objetivo é sempre nos tornarmos líderes nos mercados em que atuamos.
Qual é o papel do Brasil e do mercado latino-americano nessa estratégia de expansão?
Atualmente, estamos operando no Brasil. Lançamos nossas operações em outubro, após obtermos a licença em julho do ano passado. A marca com a qual atuamos no Brasil se chama Defy, e escolhemos esse nome porque sabemos que será um mercado altamente competitivo. Estamos evoluindo continuamente nosso produto para garantir que ele seja atraente para os jogadores locais, pois nosso objetivo é estar entre os líderes do mercado.
Outra área-chave em que estamos focados neste momento é a proteção ao jogador. Neste mês, lançamos o Player Safety Index: Latin America. Anteriormente, já havíamos publicado um relatório semelhante para a Europa Ocidental, e agora estamos analisando mais de perto o mercado latino-americano.
O que encontramos é muito interessante. A América Latina está em transição de mercados predominantemente cinzentos para ambientes mais regulamentados. Ao mesmo tempo, a região está liderando no uso de tecnologia para proteção ao jogador. De acordo com o relatório, 69% dos operadores pesquisados utilizam monitoramento em tempo real, e 34% já utilizam inteligência artificial em seus sistemas de proteção ao jogador.
Claro que ainda existem desafios. Em alguns mercados, a proteção ao jogador não está totalmente incorporada à regulação. No Brasil e na Argentina, ela está incluída, mas, se observarmos o Chile, por exemplo, isso ainda não faz parte do arcabouço regulatório.

Quais são alguns dos principais problemas nessa área na região?
Um ponto importante é a educação. Nossa pesquisa mostrou que cerca de 50% dos operadores afirmam que muitos jogadores na América Latina veem o jogo como uma forma de gerar renda, e não como entretenimento.
Além disso, apenas 19% dos operadores na região realizam verificações de capacidade financeira ou de origem de recursos. Isso se deve, em parte, ao fato de a região ainda ser muito dependente de dinheiro em espécie.
Por fim, a própria regulação está em evolução. Mas o que acreditamos que deve ser evitado são regimes tributários excessivamente punitivos. No México, por exemplo, já vemos discussões sobre aumento de impostos. No Brasil, a taxa deve chegar a 15% em 2028, e também há debates sobre um possível imposto de 15% sobre depósitos.
Houve uma espécie de “lua de mel” com a regulação, mas, se os impostos subirem muito ou os patrocínios forem proibidos, os operadores podem enfrentar novos desafios. Quando influenciadores dizem abertamente que o mercado offshore é melhor do que o regulamentado, isso gera pressão adicional sobre o setor regulado.
Temos a Copa do Mundo se aproximando. Como você vê essa oportunidade para o mercado brasileiro e para a 1xBet?
A Copa do Mundo é sempre uma celebração do esporte, não apenas do futebol. Ela reúne pessoas ao redor do mundo. Esta próxima edição será particularmente interessante porque acontecerá em diferentes países. Para nós, eventos como a Copa do Mundo são uma oportunidade não apenas de adquirir novos jogadores, mas também de engajar nossa base atual de clientes.
Nosso objetivo é garantir que nossos usuários tenham a melhor experiência possível ao acompanhar o torneio por meio da nossa plataforma.
Você trabalha neste setor há bastante tempo, quase duas décadas. Além da tecnologia, quais foram as maiores mudanças que você observou nesse período?
A maior mudança foi, de fato, a regulação.
Quando comecei, por volta de 2008 ou 2009, havia pouca regulação por país. Existiam licenças globais, mas poucos mercados tinham seus próprios marcos regulatórios. Com o tempo, os governos perceberam que as apostas online poderiam gerar receita tributária, o que impulsionou a expansão dos mercados regulamentados.
Claro que o setor também evoluiu. Quando entrei na indústria, o mobile não era tão relevante. Hoje, tudo é pensado com foco em dispositivos móveis.
Também observamos ciclos do que chamo de “palavras da moda”. Em diferentes momentos, falou-se de jogos sociais, depois de mobile gaming, e agora ouvimos muito sobre inteligência artificial e gamificação. Todas são ferramentas úteis, mas precisam ser aplicadas corretamente e bem compreendidas para gerar valor real.

O Reino Unido é frequentemente citado como modelo de regulação durante o evento. Até que ponto você acredita que mercados como o Brasil podem aprender com o modelo britânico?
A Europa Ocidental costuma ser vista como referência em regulação, mas não acredito que exista uma solução única para todos. Há, sim, lições que podem ser aprendidas com diferentes mercados e, como operador global, acreditamos sempre no diálogo com reguladores. No entanto, a regulação precisa ser adaptada às características específicas de cada mercado.
Mesmo dentro da Europa Ocidental, o comportamento dos jogadores varia bastante. Um jogador no Reino Unido tem uma psicologia diferente de um jogador na Espanha. Simplesmente copiar o modelo britânico e aplicá-lo ao Brasil não necessariamente funcionaria.
Em vez disso, acredito que os reguladores podem aproveitar alguns componentes-chave — como estruturas de proteção ao jogador e mecanismos de jogo responsável — e adaptá-los ao seu contexto local.
Também é importante lembrar que os próprios reguladores operam dentro das políticas definidas pelos governos. Muitas vezes, recebem a legislação e precisam encontrar formas práticas de implementá-la.
No fim das contas, a colaboração é sempre a abordagem mais eficaz. Operadores, reguladores e fornecedores devem trabalhar juntos para garantir que a regulação seja adequada ao mercado e crie um ambiente seguro e sustentável para os jogadores.
Curiosamente, nossa pesquisa também mostra que a América Latina está atualmente à frente em algumas áreas de tecnologia de proteção ao jogador. Como mencionei anteriormente, 69% dos operadores da região utilizam monitoramento em tempo real e 34% utilizam inteligência artificial, em comparação com cerca de 30% na Europa.
Não acredito que uma única região deva ditar regras para o restante do mundo. Em vez disso, a indústria deve colaborar globalmente para desenvolver estruturas que protejam os jogadores e garantam que eles permaneçam em mercados regulamentados, em vez de recorrer a operadores offshore.