Neste artigo, a plataforma de identidade digital Gataca explora como o novo framework eIDAS 2.0 da União Europeia e a EUDI Wallet podem transformar os processos de verificação de identidade, onboarding e compliance para o setor de iGaming em toda a Europa.
A União Europeia introduziu um novo modelo de identidade digital que vai reformular a forma como serviços online verificam usuários. Por meio da atualização do regulamento eIDAS 2.0, adotado em 2024, o bloco lançou a Identidade Digital Europeia (EUDI) Wallet, um aplicativo móvel que permitirá a cidadãos, residentes e empresas armazenar e compartilhar credenciais digitais para verificação e autenticação seguras em diferentes serviços.
Os Estados-membros devem disponibilizar pelo menos uma carteira digital aos seus cidadãos até o fim de 2026. Para o setor, o avanço é especialmente relevante porque determinadas indústrias reguladas — incluindo o jogo online — serão obrigadas a aceitar a EUDI Wallet como método válido de autenticação até o final de 2027.
A revisão do regulamento eIDAS (Regulamento (UE) 2024/1183) estabelece um framework europeu de identidade digital projetado para permitir identificação eletrônica segura e interoperável entre todos os países da União Europeia.
No centro está a EUDI Wallet, que permitirá aos usuários armazenar credenciais oficiais como documentos de identidade, carteiras de motorista, comprovantes de endereço ou atributos verificados, como comprovação de idade.
Essas credenciais são assinadas digitalmente por emissores confiáveis — como governos, instituições financeiras ou provedores certificados — e podem ser compartilhadas instantaneamente com serviços online.
Para os usuários, isso significa que a verificação de identidade pode ser concluída com um clique, diretamente pelo celular, sem a necessidade de enviar documentos repetidamente ou inserir dados pessoais em cada plataforma. Uma vez verificadas, as credenciais podem ser reutilizadas em qualquer serviço que aceite carteiras de identidade digital, criando uma camada de identidade portátil e interoperável na economia digital.
O uso da carteira será voluntário para cidadãos, mas sua aceitação se tornará gradualmente obrigatória para determinados serviços. Sites do setor público serão os primeiros a oferecer suporte, seguidos por indústrias reguladas que dependem de autenticação forte de usuários.
Embora o setor de apostas não esteja explicitamente listado na regulamentação, seus requisitos operacionais o colocam dentro do escopo.
De acordo com o Artigo 5f da norma atualizada, empresas privadas que precisam realizar autenticação forte de usuários para identificação online terão de aceitar carteiras de identidade digital europeias como método de login e verificação.
Para muitos operadores de iGaming ativos no mercado europeu, isso significa que a autenticação via EUDI Wallet deverá ser suportada até 2027.

A verificação de identidade sempre foi uma das etapas mais complexas na jornada do usuário no setor. O onboarding tradicional envolve envio de documentos, análises manuais e períodos de espera que podem atrasar a ativação da conta.
As carteiras de identidade digital propõem uma abordagem diferente:
Uma autoridade confiável emite uma credencial assinada digitalmente para o usuário
O usuário armazena essa credencial em sua carteira digital
Ao se registrar em uma plataforma, basta escanear um QR code e compartilhar os dados necessários diretamente da carteira
Em vez de enviar documentos e aguardar validação, a verificação pode ser confirmada criptograficamente, permitindo autenticação instantânea.
Maior conversão e onboarding mais rápido
Credenciais reutilizáveis permitem que jogadores concluam o cadastro com um único toque, reduzindo fricções e aumentando taxas de conversão.
Redução de fraude e abuso de identidade
Credenciais assinadas por emissores confiáveis dificultam o uso de identidades falsas. Combinadas com biometria, podem reduzir riscos como invasão de contas, multi-contas, abuso de bônus, fraude de pagamento e jogo por menores.
Compliance automatizado e menor custo operacional
A verificação automatizada com identidades digitais reutilizáveis reduz a necessidade de processos manuais de KYC e simplifica relatórios regulatórios, diminuindo custos. O uso padronizado de verificação também facilita operações transfronteiriças.
A introdução da EUDI Wallet não substitui obrigações regulatórias já existentes, mas as complementa.
Por exemplo, regras recentes da UE de combate à lavagem de dinheiro reconhecem métodos de identificação eletrônica compatíveis com o eIDAS como ferramentas legítimas de diligência de clientes. Além disso, a arquitetura da carteira está alinhada com princípios do GDPR, como minimização de dados e consentimento explícito. Usuários podem compartilhar apenas as informações necessárias — por exemplo, comprovar que têm mais de 18 anos — sem expor outros dados pessoais.
As legislações nacionais de jogo continuam válidas, e operadores precisarão garantir que a verificação via carteira atenda aos requisitos de licenciamento de cada país.
A implementação da EUDI Wallet já começou. Alguns países já lançaram versões iniciais ou pilotos, como a France Identité na França, a IT Wallet (via app IO) na Itália e a eAusweise na Áustria.
Por isso, a preparação não deve esperar até 2027. Plataformas que operam na Europa precisam começar a avaliar como esse novo método de autenticação impactará seus fluxos de onboarding, verificação de identidade e compliance — e podem iniciar integrações com plataformas como a própria Gataca.
Além da adequação regulatória, a adoção antecipada pode permitir ganhos mais rápidos com onboarding ágil, menor risco de fraude e processos de compliance mais eficientes.
Quer saber mais?
Baixe o relatório da Gataca, em colaboração com a Intellium Law, sobre a EUDI Wallet e seu impacto no setor de iGaming.