Se o Brasil ainda é uma das seleções mais respeitadas do mundo na atualidade, isso não é por acaso. A camisa verde e amarela é a única pentacampeã do mundo, e se isso aconteceu, é porque sempre reuniu jogadores talentosos. Mas, depois da última conquista em 2002, poucos esperavam o destino triste que viria para os fãs de futebol no país.
Em outras palavras, o Brasil vive mais de 20 anos sem conquistar essa taça, então os questionamentos da torcida aparecem como nunca. Será que a geração de jogadores não é tão boa como antes? Falta a personalidade dos jogadores antigos? Ou será que a questão vai além: qual é a relação entre o lendário “Joga Bonito” e os tropeços recentes da Seleção nas Copas do Mundo?
O futebol evoluiu. A estrutura dos clubes, os equipamentos, o conhecimento médico e a própria forma de lidar com o esporte se transformaram na mesma velocidade do avanço tecnológico. Hoje, os dados são peças fundamentais em qualquer decisão - afinal, o que importa é o resultado. E isso aparece em vários setores próximos ao futebol, como no próprio mundo das apostas. Quando você abre uma lista de sites de apostas no Legalbet, um portal de reviews bem conhecido no Brasil, vai ver opções de apostas recheadas de estatísticas, que focam nos prognósticos com uma mentalidade bem analítica.
Dessa maneira, com o futebol cada vez mais científico, os times que juntam organização, pragmatismo e leitura de jogo tendem a sair na frente. Então, embora o talento continue sendo fundamental e ninguém possa negar isso, ele é mais uma peça entre outras num encaixe super complexo de uma equipe. Mas, antes disso tudo acontecer, o mundo viveu tempos maravilhosos protagonizados dentro das quatro linhas.
No caso do “futebol arte” brasileiro, a história começa nas conquistas das Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970. Com o talento extremo dos jogadores brasileiros, os times pareciam se encaixar facilmente. O diferencial do país era competências como habilidade, alegria, criatividade e a chamada “malandragem brasileira”.
Foi na Copa do Mundo de 2006 que o “Joga Bonito” ganhou ainda mais força fora do Brasil, impulsionado pela campanha da Nike, que ajudou a popularizar esse rótulo ligado ao futebol brasileiro. Por ironia do destino, foi ali que aconteceu uma das maiores frustrações do povo brasileiro na história do esporte. O futebol arte começava a degringolar.
O ano de 2006 se tornou um trauma para os torcedores brasileiros. Quem diria que um time formado por Dida, Cafu, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Ronaldo, Roberto Carlos e Adriano, imbatível no papel, iria sair da Copa sem as duas mãos na taça?
O ponto é que, no duelo contra a França, o Brasil não perdeu por “falta de qualidade”, e sim por controle de jogo. A França teve mais posse (56% a 44%), finalizou mais (15 a 13) e ainda levou vantagem nos escanteios (7 a 5). Mesmo com 5 chutes no gol para cada lado, foi a França quem ditou o ritmo e escolheu melhor quando acelerar. E o gol sai justamente no tipo de lance que costuma decidir mata-mata: bola parada.
Na prática, o time que entrou em campo não foi um misto de talento e futebol-arte, mas sim um coletivo mal construído. Sem equilíbrio tático e baixa intensidade, os relatos de jornalistas na época foram de que a França trouxe o futebol moderno, enquanto o Brasil ficou parado no tempo.
E não adianta apenas dizer que as últimas gerações são piores: basta navegar por jornais bem antigos, desde antes do século XXI, para ver que quase toda geração que surge no Brasil é criticada. Afinal, depois de Pelé e Zico, é difícil agradar a todos.
É mais ou menos a partir dos anos 2000 que o futebol internacional resgata elementos que ficaram pelo passado e começa a se reconstruir. O epicentro do esporte começa a ser a Europa, que passa a investir em ciência do esporte, análise de dados, scouting avançado, nutrição e todos os outros conhecimentos que ajudam a transformar o esporte e os jogadores em verdadeiras máquinas.
E a questão não é que ele tenha abandonado o talento ou a busca por jogar bonito: os técnicos “retranqueiros” sempre existiram no futebol, independentemente se eles focam ou não nesse pragmatismo mais científico, digamos assim. Mas hoje, o jogo bonito precisa estar acompanhado de noções táticas que passaram a ser básicas: estilos de marcação, compactações defensivas, organização das linhas e muitos outros termos que ganharam até mesmo as conversas de bares.
Sendo assim, não é exatamente o futebol arte o culpado pela queda do Brasil. Na realidade, a expectativa de que isso sempre resolvesse tudo é o problema aqui. No fundo, o que pesa é a falta de organização, planejamento e visão de longo prazo, desde os órgãos que cuidam diretamente da Seleção Brasileira até a estrutura do futebol como um todo, dos clubes do segundo escalão às categorias de base e aos principais times do país.
Depois de 2006, o Brasil seguiu chegando forte nas Copas. Elenco bom, nome pesado, expectativa lá em cima. O problema é que, nos mata-matas, quase sempre faltou controle do jogo quando ele sai do roteiro.
O Brasil saiu na frente com Robinho, mas perdeu o rumo quando a partida ficou tensa. Tomou dois gols do Sneijder, viu Felipe Melo ser expulso e acabou eliminado por 2 a 1.
Nos números, foi bem equilibrado: a Holanda teve 51% de posse contra 49% do Brasil. Em finalizações, o Brasil chutou mais (15 a 11), mas nos chutes no alvo a Holanda levou leve vantagem (5 a 4). Não foi falta de talento. Foi um jogo decidido no detalhe e na gestão do momento.
O 7 a 1 virou símbolo, mas não tem muito mistério. O Brasil ficou aberto, desorganizado e sem proteção no meio. Quando tomou o primeiro, não conseguiu se recompor.
E também teve o peso do contexto: a Seleção entrou em campo sem Neymar, que tinha sofrido uma lesão séria nas costas contra a Colômbia, e sem Thiago Silva, suspenso. Faltou uma referência clara no ataque e liderança na defesa, algo que pode ter afetado diretamente a estrutura do time num jogo desse tamanho.
E teve um trecho que matou tudo: a Alemanha marcou quatro vezes em pouco mais de seis minutos (do 23’ ao 29’). Aí não existe estilo que segure.
Em 2018, o Brasil teve volume, mas a Bélgica teve um plano mais claro. Sofreu sem se desmontar e escolheu bem quando acelerar.
O Brasil dominou nos números: teve 57% de posse contra 43% da Bélgica, finalizou 26 vezes contra 8, acertou 9 chutes no alvo contra 3 e ainda ganhou nos escanteios (8 a 4). Mesmo assim, deu 2 a 1 para os belgas. Isso é futebol de mata-mata: não basta criar mais, tem que ser seguro nos lances que definem a partida.
Se tem um jogo que prova que o “Joga Bonito” não é o vilão, é 2022. O Brasil criou muito, quase não sofreu e mesmo assim caiu nos pênaltis após 1 a 1.
Finalizações 21–9, chutes no alvo 11–1 e escanteios 7–3. A posse foi parelha (49,5%–50,5%). O problema não foi jogar bonito. Foi não conseguir matar o jogo no tempo normal, e aí a decisão acabou indo para os pênaltis, onde qualquer detalhe pesa.
O futebol de seleções ficou mais pragmático porque o tempo para treinar é curto. Então o que dá resultado é simples: bloco bem montado, linhas compactas, intensidade sem bola e transições rápidas quando aparece espaço.
Segundo análises recentes da FIFA sobre a Copa de 2022, compactação, organização e controle de espaço foram pontos que apareceram com força nos times que foram mais longe. A ideia não é “matar” o talento. É dar base para ele aparecer quando o jogo aperta.
No fim, o “Joga Bonito” não impede o Brasil de ganhar. O que pesa é quando a Seleção tenta resolver tudo só no improviso, sem estrutura para segurar os momentos ruins. Em Copa, uma falha muda tudo. E é aí que organização ganha jogo.