A decisão da Caixa Econômica Federal de suspender os serviços de Pix Saque e Pix Troco nas lotéricas a partir de março de 2026 acendeu um alerta no setor. Segundo publicado no BNLData, a medida, que terá abrangência nacional, é vista pela Federação Brasileira das Empresas Lotéricas (Febralot) como um fator de desequilíbrio econômico para milhares de permissionários.
Segundo comunicado do banco estatal, os dois serviços vinculados ao sistema de pagamentos instantâneos deixarão de ser oferecidos nas unidades lotéricas em todo o país. De acordo com informações divulgadas pela Coluna Radar, da VEJA, a Febralot atua na esfera administrativa para tentar reverter a decisão.
A entidade avalia que a interrupção pode gerar “significativo desequilíbrio econômico”, já que o fluxo de serviços bancários é parte essencial da sustentabilidade financeira das casas lotéricas. O setor também enfrenta desafios com o avanço das bets no mercado de apostas, que vêm alterando a dinâmica de receitas nas unidades.
Além da suspensão, empresários relatam dificuldades relacionadas ao Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, regulamentado pelo Banco Central. O instrumento permite o bloqueio e eventual devolução de valores em casos de suspeita de fraude ou falha operacional.
Lotéricos denunciam casos em que clientes realizam Pix Saque de R$ 1 mil ou R$ 2 mil e, posteriormente, solicitam estorno, gerando bloqueio imediato de valores e até suspensão temporária das operações. Em Mogi das Cruzes, uma unidade teria sofrido estorno de R$ 18 mil e ficado uma semana sem operar Pix de outras instituições durante a investigação.
Pelo modelo atual, o cliente pode contestar pagamentos em até 80 dias. O valor é debitado automaticamente após a contestação, o que, segundo representantes do setor, obriga o lotérico a arcar com o montante enquanto o caso é analisado.
Durante reunião com a Febralot e sindicatos estaduais, a Caixa apresentou medidas para reduzir riscos nas operações, incluindo: redução da validade do QR Code para 10 minutos, identificação do usuário pagador, condicionamento da finalização da transação à identificação do mesmo emissor e suspensão definitiva do Pix Saque e Pix Troco a partir de 16 de março.
A instituição informou ainda que o Banco Central orientou a realização de análises individualizadas das notificações envolvendo contas de lotéricas, considerando histórico e perfil operacional. Em caso de cobranças indevidas de juros e IOF, os valores deverão ser estornados.
Mesmo assim, a federação avalia que as medidas não eliminam a exposição financeira das unidades.
Para a Febralot, a suspensão representa “perda concreta” de fluxo de atendimento e de receitas acessórias, consideradas essenciais para o equilíbrio econômico das casas lotéricas. A movimentação do Pix Saque também impulsiona a venda de outros produtos e serviços.
Ricardo Amado, presidente da Febralot, afirmou que “o Saque Pix ampliou a capilaridade do sistema financeiro nacional e fortaleceu o papel social das lotéricas como principal canal de inclusão bancária no Brasil. Sua suspensão compromete receitas operacionais, reduz o fluxo de clientes e fragiliza a manutenção de empregos em centenas de municípios, especialmente nas regiões mais carentes”.
O dirigente destacou ainda que “o Saque Pix tornou-se instrumento essencial de inclusão financeira, especialmente para cidadãos que não possuem agência bancária próxima. Sua suspensão compromete a função pública exercida pelas lotéricas e impacta diretamente a viabilidade econômica das unidades”.
Amado acrescentou que “o Saque Pix gera movimentação que sustenta a venda de outros produtos e serviços. Sua exclusão reduz a relevância operacional das lotéricas, especialmente em municípios onde elas são o único ponto de atendimento financeiro presencial”.
A federação informou que seguirá em negociação com a Caixa para tentar evitar a retirada definitiva do serviço e que manterá a rede lotérica informada sobre os próximos desdobramentos.