53,6% da base analisada apostou nos últimos 12 meses

Estudo aponta aumento do número de apostadores e identifica comportamentos de risco

Imagem: Pexels
23-01-2026
Tempo de leitura 2:07 min

Um estudo da klavi, fintech especializada em inteligência via Open Finance, analisou o comportamento financeiro de 6,8 milhões de brasileiros e identificou que 18% dos apostadores já têm um comportamento de alto risco, o que significa que deixam de cumprir compromissos financeiros para apostar.

A pesquisa também revela a dimensão da expansão do fenômeno: 53,6% da base analisada apostou ao menos uma vez nos últimos 12 meses, o que equivale a 3,7 milhões de pessoas e representa o dobro do registrado um ano antes.

Os dados foram levantados a partir de informações obtidas via Open Finance. Mediante o consentimento explícito dos usuários, é possível observar em tempo real a renda, os gastos, a frequência de apostas e o uso de crédito, a fim de aferir as tendências comportamentais e o impacto financeiro das apostas na vida dos brasileiros. A partir dessas métricas, a klavi desenvolveu um Indicador de Risco de Apostas capaz de identificar quando o hábito deixa de ser recreativo e passa a comprometer a saúde financeira do indivíduo.

Imagem: reprodução/klavi

A digitalização ampliou o acesso, mas não necessariamente a compreensão sobre risco. Apostar ficou mais fácil, mais rápido e mais invisível no dia a dia. Isso aumenta a vulnerabilidade de quem não tem alfabetização financeira para reconhecer sinais de risco”, afirma Bruno Chan, CEO e cofundador da klavi.

Segundo ele, o problema está na ausência de repertório para lidar com plataformas desenhadas para estimular a recorrência: “O que o estudo mostra é que a combinação entre inclusão digital e falta de educação financeira cria terreno fértil para hábitos compulsivos”, complementa.

A análise mostra que, embora 69,3% da amostra total não apresente risco associado às apostas, o grupo de risco alto, sozinho, já representa mais de 600 mil pessoas.

O perfil etário mostra nuances importantes: entre 18 e 24 anos, metade dos apostadores de alto risco pertence à classe C e 68% estão concentrados no Sudeste e Nordeste.

No grupo de 25 a 34 anos, um terço dos apostadores apresenta algum nível de risco e 12% já atingem o patamar de alto risco. Entre 35 e 54 anos, há forte concentração no Sudeste e nas classes C. A partir dos 55 anos, o risco médio cai, ainda que permaneça elevado entre consumidores das classes C, D e E. Dos 75 anos em diante, o padrão se transforma, e o comportamento de risco se concentra proporcionalmente mais nas classes A e B, embora 87% dessa faixa etária não apresentem risco.

O estudo indica que o risco se reconfigura ao longo da vida e acompanha tanto a exposição digital quanto diferentes formas de lidar com incertezas financeiras. Nas faixas mais jovens e urbanizadas, prevalece a vulnerabilidade associada à hiperexposição a aplicativos e à falta de educação financeira. Nas mais altas, o comportamento se relaciona menos à renda e mais a padrões individuais de consumo.

Para Chan o diagnóstico reforça a urgência de ferramentas de prevenção. “Quando conseguimos enxergar os sinais de risco em tempo real, é possível proteger o usuário antes que a situação se desestabilize completamente. É assim que o dado deixa de ser apenas diagnóstico e passa a ser proteção”, conclui o CEO da klavi.

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